Nada Fica de Nada
(Por Ricardo Reis, in "Odes" Heterónimo de Fernando Pessoa)
Nada fica de nada. Nada somos.
Um pouco ao sol e ao ar nos atrasamos
Da irrespirável treva que nos pese
Da humilde terra imposta,
Cadáveres adiados que procriam.
...
Leis feitas, estátuas vistas, odes findas
— Tudo tem cova sua. Se nós, carnes
A que um íntimo sol dá sangue,
temos Poente, por que não elas?
Somos contos contando contos, nada.