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domingo, 20 de novembro de 2011

Dia dos Namorados

No dia dos namorados,

Ela não pode namorar,
Nem mesmo sendo o aniversário dele.

No dia dos namorados,
Ela vai até ao mar
Com pétalas no regaço
E um olhar já muito baço,

De quem vê mal
Nos seus 77 anos,
Entre lágrimas contidas
E cataratas.
A Filha vai com ela
Num cortejo solitário.
Leva pétalas numa mão
E agarra-se à Mãe
Num abraço.

O choro convulsivo da Filha
Contrasta com a dor contida da Mãe
E mistura-se no sal do mar.

No dia dos namorados,
Ela só pensa Nele
E na Mãe,
Que não quer perder
Para os deuses
A Mãe é dela.
Já lhe levaram o Pai.

No dia dos namorados,
Elas, lentamente,
espalham pétalas de rosa
vermelhas
espalham pétalas de rosa
brancas
Num tapete
Que as ondas,
A espumar,
Arrastam violentas
Como arrastaram as cinzas dele
Naquele dia de nortada em Agosto,
Feriado de Nossa Senhora da Assunção

No dia dos namorados,
Talvez o céu se abra
E elas possam, ao menos,
Cantar-lhe os parabéns,
Como sempre fizeram.
Basta quererem.

No dia dos namorados,
Um brinde, com vinho maduro tinto
Ao marido, ao pai,
Aquele que nunca esquecem,
Entre lágrimas, sorrisos e risos
Numa ordem aleatória de repetição.

No dia dos namorados,
Ele estará sempre vivo
Enquanto a memória delas
O quiser!

E quem ousa garantir
Que Ele não estará
A festejar o seu aniversário
Com os Outros
E a fazer um brinde etéreo
a Elas?

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Uma rosa para Mofina

As palavras estorvam, deixo-te uma rosa, para que saibas que estou contigo e com JG em pensamento e emoção.

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Ontem teriam celebrado

50 anos de casados. Iriam jantar fora, ele oferecer-lhe-ia orquídeas, como todos os anos. O amor escondido por trás das muitas desavenças e discussões teria brilhado nos olhos de ambos. Não passavam um sem o outro. Talvez até dessem uma pequena festa, com filhos e netos. Ou fossem brindados com a festa surpresa que nunca tiveram.
Mas ontem ela sentia muito frio e nem os programas festivaleiros ou as novelas da medíocre televisão, com que tenta que a noite seja menos noite, a distraíram. O frio vinha muito de dentro.
Ontem ela foi deitar-se sozinha. Ele morreu há mais de dois anos.
Pode ser que nos sonhos lhe tenha feito companhia. Nos sonhos até lhe pode ter oferecido milhentos ramos de orquídeas e podem ter dançado valsas.
Que Nossa Senhora da Conceição a proteja. A minhã mãe.

segunda-feira, 29 de junho de 2009

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Farrah-Fawcett e Michael Jackson: em comum, o dia da morte

A morte choca sempre. Estas duas, tão mediáticas, no mesmo dia, chocaram-me particularmente:
Farrah-Fawcett , pela luta desigual sem esperança (morte: 25-06-09, 62 anos).
Michael Jackson, pelo imprevisto (morte: 25-06-09, 50 anos)
Aqui fica uma pequena homenagem.
Na minha cabeça acumulam-se os mortos. Nem me consigo mexer, à espera da ser a próxima, como faz parte do egoísmo ou instinto de sobrevivência. Naquele tempo, quando ela era um "Anjo de Charlie", e ele o ícone da música pop dos anos 80, os meus mortos ainda estavam muito longe. Eu era feliz. Desejo, sinceramente, que Michael Jackson seja recordado por ser um artista de excepção que revolucionou a pop na década de 80 e não pela decadência da sua vida pessoal.

terça-feira, 23 de junho de 2009

Para quem não tem São João

Era a festa dele. Organizava tudo ao pormenor. Desde que eu era pequenina. Nessa altura, fazia ele os balões e o fogo de artifício era mais pobre. O jantar era com a grande família em casa dos avós paternos. A festa era no jardim da casa. Mas era grande a animação.
Muitos anos mais tarde, retomou a tradição, agora para os netos.
Comprava uma dúzia de balões, uns maiores, outros mais pequenos, outros gigantes e fogo de artifício até não mais ter fim.
Jantávamos no restaurante e depois íamos para uma praça lançar os balões e iluminá-la com fogo de artifício. Os miúdos divertiam-se imenso. Desde o tempo em que tinham medo de pegar nos pauzinhos mais inocentes de fogo de artifício, ao tempo em que eles próprios, já com a escola do avô, lançavam os balões e organizavam a artilharia. Entravamos em desgarrada com os outros gupos que se juntavam na praça. O São João era a festa em que ele estava sempre bem disposto, animava toda a gente. Mesmo que na maior parte dos dias do ano estivesse sombrio.
Hoje os netos são grandes, têm as suas festas. Ele morreu. Para mim não há São João, apenas a recordação de momentos felizes que juntam a nostalgia à doença. Esta é uma história banal, mas quero partilhá-la com quem também não tem São João. Bom São João, para quem ainda o tem.