domingo, 7 de junho de 2009

David Fisher : Dynamic Architecture

http://www.dynamicarchitecture.net/

David Fisher

Hesitações

Voto branco?
Voto nulo? Nesta última hipótese, o que coloco: desenho um Pinóquio, um Gepeto (outro)? Escrevo um reles palavrão? Fico-me pelo soft calão? Desperdiço uma sublime poesia, ou despejo um poema satírico de Bocaje? Faço uma colagem artística com M & Ms? E vou dar-me a tanta criatividade para o bronco da mesa de voto deitar o papel fora?
Abstenho-me? É muito tentador. Só de pensar que tenho que deslocar-me a Marrocos, atravessar uma ponte, ir ao liceu da minha juventude e perder-me no labirinto das salas... Já se o Corte Inglês estivesse aberto, seria um fortíssimo incentivo. Talvez, O Incentivo. Mas não, é Domingo e os tipos insistem nesta chatice de fechar o templo do consumo aos Domingos e feriados.
Voto como forma de mostrar que estou contra? Mas isso implica que esteja a favor...De quê?
Voto por solidariedade bacoca, porque tenho um conhecido a concorrer? Mas o tipo não precisa do meu voto para nada, uma vez que é cabeça-de-lista. Tem o lugar garantido.
Deixarei fluir, perto do fecho das urnas já terei uma decisão tomada. Sobretudo se Funes vender as sondagens às 17h, conforme o vendilhão nhacoso prometeu. Duvido, no entanto, que Mme Funes se desbronque.
A última vez que fui votar perto do fecho das urnas foi uma tentativa em vão, porque as mesas de voto fecharam antes de eu dar com a sala. Cheguei às 19h e 3 m e mandaram-me dar meia volta. Estamos encerrados! Ensopada e depois de ter dado um tombo no jardim do liceu, foi assim que o cumprimento do meu dever cívico foi compensado.

O mundo pode ser composto de mudança, mas há um pequeno reduto que resiste: Portugal

(...)
Aproxima-te um pouco de nós, e vê.
O País perdeu a inteligência e a consciência moral. Os costumes estão dissolvidos e os caracteres corrompidos. A prática da vida tem por única direcção a conveniência. Não há princípio que não seja desmentido, nem instituição que não seja escarnecida. Ninguém se respeita. Não existe nenhuma solidariedade entre os cidadãos. Já se não crê na honestidade dos homens públicos. A classe média abate-se progressivamente na imbecilidade e na inércia. O povo está na miséria. Os serviços públicos vão abandonados a uma rotina dormente. O desprezo pelas ideias aumenta em cada dia. Vivemos todos ao acaso. Perfeita, absoluta indiferença de cima a baixo! Todo o viver espiritual, intelectual, parado. O tédio invadiu as almas. A mocidade arrasta-se, envelhecida, das mesas das secretarias para as mesas dos cafés. A ruína económica cresce, cresce, cresce... O comércio definha, A indústria enfraquece. O salário diminui. A renda diminui. O Estado é considerado na sua acção fiscal como um ladrão e tratado como um inimigo.
(...)
A intriga política alastra-se por sobre a sonolência enfastiada do País. Apenas a devoção perturba o silêncio da opinião, com padre-nossos maquinais.
Não é uma existência, é uma expiação.
E a certeza deste rebaixamento invadiu todas as consciências. Diz-se por toda a parte: «o País está perdido!» Ninguém se ilude. Diz-se nos conselhos de ministros e nas estalagens. E que se faz? Atesta-se, conversando e jogando o voltarete, que de Norte a Sul, no Estado, na economia, na moral, o País está desorganizado - e pede-se conhaque!
Assim todas as consciências certificam a podridão; mas todos os temperamentos se dão bem na podridão!

(...)
Não é verdade, leitor de bom senso, que neste momento histórico só há lugar para o humorismo? Esta decadência tomou-se um hábito, quase um bem-estar, para muitos uma indústria. Parlamentos, ministérios, eclesiásticos, políticos, exploradores, estão de pedra e cal na corrupção. O áspero Veillot não bastaria; Proudhon ou Vacherot seriam insuficientes. Contra este mundo é necessário ressuscitar as gargalhadas históricas do tempo de Manuel Mendes Enxúndia. E mais uma vez se põe a galhofa ao serviço da justiça!
(...)
(Eça de Queiroz, excerto do primitivo prólogo das Farpas- Estudo Social de Portugal em 1871)

Obama's Cairo Speech: um discurso histórico

As poupanças do Senhor Presidente da República

Se o Senhor Presidente da República , que muito estimo, comunica com um esgar de desespero que as suas poupanças e as da Senhora sua mulher estão em boa parte desaparecidas, estando ambos a perder muito, muito, dinheiro, sendo o Senhor Presidente da República doutorado em Finanças, experiente Professor de Finanças, em tempos Ministro das Finanças e Primeiro Ministro, rodeado de "amigos da onça" (antigos membros dos seus governos) entulhados em escândalos financeiros, só posso dizer que estamos tramados se não seguirem os meus conselhos abaixo (pagar as contas e gastar tudo o que acaso sobre). É mau poupar dinheiro em Portugal. Só traz dissabores.

sábado, 6 de junho de 2009

Vá lá, agradeçam ao papa

Pinto da Costa (de quem a gente gosta) o facto de Portugal se ter safado com a Albânia. Não fossem os jogadores do FCP e a esta hora já o (inevitável?) bye bye South Africa tinha deprimido ainda mais o português médio que não foi de férias (por causa da depressão), fazendo crescer a abstenção do voto para aquela coisa longíqua que poucos conhecem e não sabem bem para que serve, com estranhos partidos de que nunca ouviram falar. Os candidatos que estão nos lugares mais abaixo das listas, mas com hipótese de serem eleitos, devem ir ao Estádio do Dragão ao beija mão. É que o ordenadozito não está mal não senhor, sobretudo se forem reeleitos e escolherem o salário europeu.

鸟巢 The Bird's Nest - Beijing / Herzog & de Meuron

Miró

O jardim

Poema eleitoral, por Saphou

Poema eleitoral,
por Saphou (6.06.09)

Candidatos alvoroçados
Sta Bárbara nos proteja
Nesta noite que troveja
Perdão por nossos pecados
...
Acordam mais descansados
Depois de uma noite em branco
Nenhum raio os partiu
Mas rezam para outro santo
...
O Santo Participação
Parece de costas voltado
Indiferente ao Parlamento
Nas tintas para o resultado
...
As oferendas foram tantas,
cartazes, net, televisão,
feiras, fábricas e manjares
apertões da multidão
...
Caminhadas de suor
tantas frases repetidas
Ó Santo, és indiferente
Às nossas experiências sofridas?
...
O Santo não está de feição
E o tempo está com ele,
dos feriados nem se fala,
todos na conspiração
...
Em véspera de eleição,
depois de tanto comício
Ó suprema injustiça,
Ganha a Santa Abstenção?

sexta-feira, 5 de junho de 2009

REN (people's building) Bjarke Ingels Group (BIG), Shanghai Expo 2010


O Edifício do Povo (REN) é um projecto de um conjunto de arquitetos e designers dinamarqueses intitulado BIG (Bjarke Ingels Group). A forma peculiar deste edifício não é gratuita e comporta, na perspectiva da filosofia oriental, um simbolismo que vai para além da semelhança com o sinal caligráfico com o qual se identifica. Assim, o corpo que emerge da água é dedicado a actividades de cultura física, desportos, etc.; o corpo que emerge da terra tem como destino actividades de "enriquecimento espiritual" - centro de conferências e outras. No ponto de encontro, onde o edifício se torna um só, situa-se um hotel de 1000 quartos... 250 000m2 de área construída...

Quem ganhará?

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Bee Gees

Ela disse:- vamos procurar música do teu tempo. Dos eigthys.
Eu resmunguei que muita música dos anos 80 era boa, e quem lhe dissera que esta era a música do meu tempo e que eu gostava disto.
Ela prosseguiu imparável e escolheu esta música dos Bee Gees, fartando-se de rir ao perguntar para o ar se eles cantavam com as calças apertadinhas ou se tinham sofrido algum traumatismo na infância ou na adolescência em alguma zona sensível. Não adiantou eu dizer que eles tinham músicas safáveis (Massachusetts, Tears) e que até fizeram um filme que eu vi duas vezes na puberdade em que chorei baba e ranho. O divertimento ainda foi maior. Transformou-se numa risada imparável da lavadora de carros. A música é do pior, não podia deixar de a partilhar com aqueles de quem tanto gosto.
 Bee Gees - Fever Saturday Night

quarta-feira, 3 de junho de 2009

O Interact começou a funcionar em pleno

Este ano, no 11º ano estão os órgãos dirigentes, dos quais participa ele (que a Directora considera um excelente mercenário). Têm a seu cargo a administração do grupo, as relações externas, em que se incluem jantares com a comunidade, bem como a criação, apresentação e obtenção de aprovação para projectos como este, além de muitas outras tarefas próprias dos dirigentes. Projecto aprovado pela escola, os restantes alunos do 11º, do 9º e do 8º anos foram divididos em grupos de quatro ou cinco membros. Em cada grupo dos anos inferiores participa um aluno do 11º. A escola empresta a cada grupo dez euros por aluno, sendo o número mínimo de elementos do grupo 4 e o máximo 5. Cada grupo tem que criar o seu negócio e rentabilizar o dinheiro. Nada pode ser doado. Os pais receberam um e-mail delicado pedindo que não cedessem a essa tentação. Têm que ter a ideia do negócio, fazer as compras, calcular os custos, fazer os preços, ser a mão-de-obra, etc. Têm um mês para rentabilizar cada projecto. No final, devolvido o dinheiro emprestado, o lucro vai para uma conta comum, este ano para as escolas de Timor. Só nessa fase se aceitam doações de quem quiser. Três dos organizadores irão a Timor, pagando as respectivas viagens, entregar o dinheiro e, mais tarde, ver como ele foi aplicado. Serão atribuídos dois prémios simbólicos: um, ao grupo com a ideia mais original; outro, ao grupo que conseguir mais dinheiro.
Ela tinha dúvidas sobre qual o negócio a que se dedicar. Ele sugeriu-lhe que o grupo dela lavasse carros.
A partir daí a ideia foi ganhando corpo, inclusive, com descontos e serviços personalizados, como uma flor ou um chocolate...
A perfeição na lavagem foi a preocupação do grupo. Em quatro dias triplicaram o dinheiro, o que implica cobrir todos os custos e o empréstimo e ter lucro. Têm carros em fila de espera. Todos os dias chega a casa feliz porque lavou entre 3 a 4 carros depois das aulas. A escola cobra um montante pela água, electricidade, arrendamento do espaço e fornecimento da mangueira para lavagem. O preço destes fornecimentos foi duramente negociado, dos 3 euros inicialmente propostos pela Direcção, para os 90 cêntimos por lavagem que têm que pagar à escola. Ao fim-de-semana ainda quer lavar os carros da família.
Parece que tem mais jeito para o negócio do que a mãe, ainda por cima um negócio altruísta. Por outro lado, se de algum modo sair à mãe, esperem muita chuva nas próximas semanas. A ver vamos se tem esse dom que fará o negócio entrar de imediato em crise.

Roberto Burle Marx



http://en.wikipedia.org/wiki/Roberto_Burle_Marx

http://pt.wikipedia.org/wiki/Roberto_Burle_Marx

Eu Saphou, declaro o seguinte:

Tendo em conta que não posso guardar o dinheiro debaixo do colchão,
Porque o leva o ladrão,
Tendo em conta que não o posso deixar no banco,
Porque o leva a administração,
Considerando que a vida são dois dias e este já vai na conta,
Aconselhada por um especialista em finanças que muito prezo,
Decidi:
Gastar todo o meu parco ordenado no que mais me aprouver. Pagas as contas, a merda que sobrar (se sobrar!) , é para gastar. Pequenas poupanças geram pequenos rendimentos, cada vez mais exíguos. É miserabilista e não traz qualquer alegria.
O lema é: gastar, gastar, gastar! Vou começar pelo Monte Velho sugerido pelo Privada, ao preço que for. Se é para a desgraça, é para a desgraça.

Poema de Blimunda

A Blimunda que me perdoe, mas este poema é tão sublime que não o podia deixar escondido. Embora o possam encontrar aqui.

IRMÃ SAUDADE (por Blimunda, 17/Out/2007)

Sete mil sonhos meus se perderam com o teu fenecer.
O vazio em que me deixaste encheu rios de amargo fel.
Nas margens da tua eterna juventude plantei a inexorável dor,
o tormento dessa maldita vacuidade.

Fátua foi a esperança de ver-te chegar e ficar.
As águas do meu rio de fel não te conheceram outra idade,
E por lá fiquei e penei, a dor perdurou e não voltaste irmã saudade.
Dói-me já e sempre a frágil persistência desta memória
que teima em apagar a lembrança do teu sorriso,
que apagou já o teu cheiro,
o leve cantarolar da tua voz chamando por mim.
Sete mil dias sem o teu viver,
sete mil noites sem o teu adormecer para mais um acordar.
Sete mil dias vivi,
sete mil noites dormi com a covarde audácia de o fazer sem ti.
Sete mil mortes senti ao gritar sete mil vezes o teu nome,
que sete mil mortes me roubaram.
Sete mil vezes, devagar morri, irmã saudade.

terça-feira, 2 de junho de 2009

Kandinsky / Канди́нский

Farta de estar a remoer,

ela saiu, para arejar, quiçá comprar alguma coisinha. As compras funcionam como a comida emocional. Escolheu a loja, estacionou o carro. Vestiu e despiu roupas, umas atrás das outras, até se sentir bonita. Acabou por comprar uma T-shirt fabulosa que lhe arrancou um sorriso.
Ao sair, um carro em segunda fila reteve-a. Também não tinha vontade de voltar para casa.
-Peço muita desculpa, disse ele.
-Não há problema, não tenho pressa nenhuma. E cheguei agora mesmo.
Ele sorriu um pouco encabulado.
Ela também. Afinal, não é todos os dias que Brad Pitt nos impede a passagem.

Das ofensas e outros demónios

Ontem ela foi caminhar ao fim da tarde, envolta no nevoeiro. Sentia-se triste, desiludida, ofendida, zangada, mesmo, com uma série de acontecimentos recentes que feriram a sua sensibilidade, trouxeram os seus fantasmas e aumentaram os seus medos. Acompanhada pela maldita dor de cabeça que ameaçava instalar-se, foi procurar o seu Dom Sebastião.
Quando as lágrimas ameaçavam sair, num misto de tristeza e raiva, viu um barco de madeira, envolto na bruma, saído do mar. Nele brincava uma criança pequena, sozinha. Sentou-se a observar enquanto ela subia e descia o escorrega, vinha à proa e corria até à ré. Estava tão divertida, vestida de branco, no meio do nevoeiro ao fim da tarde... Ela descentrou-se e sorriu com a criança. Afinal, tudo o resto não existia, apenas ela, a criança, o nevoeiro e o barco.
Focou-se no presente, olhou a beleza em redor, esqueceu as ofensas, a tristeza, as mortes acumuladas. Por alguns minutos, conseguiu respirar tranquila. Quem diria? Afinal, Dom Sebastião volta mesmo quando o procuramos numa tarde de nevoeiro, nem que seja num barco de brincar, sob a forma de uma criança de vestido branco aparecida do nada.
Hoje, infelizmente, os demónios voltaram bem cedo pela manhã, deixando a cabeça a latejar.

Marinho Pinto não se demite,

tirem o cavalinho da chuva. Pode ser destituído? Posto fora a pontapé? Outra sugestão? Qual?