terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Enigma

Há que morrer no palco, como Molière!

Pinóquio, o Venezuelano


"Já que somos tão amigos e as nossas relações estão cada vez mais estreitas, quiçá faça isso também por cá: há que redobrar esforços rumo ao socialismo, não importa o meu sacrifício pessoal. Tudo pelo país."


"Venezuela: reeleição ilimitada é aprovada com 54,86% dos votos G1.com.br - Caracas, 17 fev (EFE).- A emenda constitucional para a reeleição ilimitada na Venezuela foi aprovada com 54,86% dos votos, informou hoje o Conselho Nacional Eleitoral (CNE) em seu terceiro boletim, com 99,75% da apuração concluída. ...Hugo Chávez redobra esforços rumo ao socialismo".

Burle Marx


segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Saphou

Estou mal. Cansaço extremo em qualquer coisa que faço, sensações de queimadura na nuca, seguidas de sensação de desmaio. Sensações de tontura ou vertigem. Tento disfarçar em público. Depois passa tudo e fica o choro, o desespero e a certeza de estar a acabar. Podem mandar-me morrer longe. Já nada me interessa. Nem o sitemeter.

domingo, 15 de fevereiro de 2009

Macacos III

Hoje vou referir uma subespécie recente do cercopiteco-de-colarinho-azul (não se deixem enganar pelo termo, porque não está ligado a nenhum clube de futebol em especial): os cercopitecos-cristianos-ronaldos, que se estão a tornar uma praga em Portugal, comparável aos eucaliptos, no reino vegetal, embora eu prefira de longe os eucaliptos que cheiram bem e têm propriedades medicinais.
Os cristianos-ronaldos existem em vários tamanhos, desde o atarracado gordo, ao alto magro, passando pelo enfezado baixo e pelo gordo XXL em altura.
Caracterizam-se, exteriormente, por usarem crista e brincos a imitar diamante, normalmente adquiridos na loja do chinês. Quando os cristianos-ronaldos recebem o 13º mês, compram uns brincos em brilhantes e, os mais afortunados, filhos de algum industrial provinciano ou ligados ao crime mais ou menos violento, usam diamantes a sério. Em comum têm o ser grunhos e o não saber jogar futebol, embora adorassem continuar grunhos mas ser craques do desporto rei. Alguns podem, eventualmente, jogar na liga dos últimos. Costumam usar calças de ganga a deixar espreitar os boxers, com maior ou menor visibilidade, e umas sapatilhas garridas a condizer com a camisola.
Em idade escolar, andam em grupo e o palavrão é a forma de se expressarem, não sabem falar português (cfr. "Morangos com Açuçar"). Os mais frustrados batem nos professores.
Quando mais velhos, deixam de bater nos professores que já não têm, as outras características mantêm-se. Podem passar a andar à porrada entre si ou com a mulher ou a sogra. Estas costumam ganhar a batalha. Em casa grunhem, mas calçam as pantufas.
Dão aos filhos o nome de Cristiano ou de Ronaldo, ou os dois juntos. Obrigam-nos a vestir-se como o pai desde tenra idade. Têm um carro kitado, comprado em 2ª ou 3ª mão, e o seu habitat são os shoppings dos arredores das grandes cidades e os estádios de futebol.
Dormem nos subúrbios com posters do CR7 no quarto e, em geral, abandonada a escola, têm um emprego indiferenciado, vivem do subsídio de desemprego ou dedicam-se à vadiagem. Alguns, em grupo, assaltam putos, senhoras e velhinhas para roubar uns trocos e o telemóvel. A fina flor dos cristianos-ronaldos (muito rara) está no crime organizado blue colar ou descende dos tais industriais.
Ao domingo passeiam-se em zonas onde habitam cercopitecos-de-colarinho-branco, para exibirem o seu ar macho, que muitas vezes esconde um maricas em sentido próprio ou figurado.
Em regra não são perigosos, ressalvadas as excepções atraídas para a criminalidade. São apenas inestéticos, como as casas dos emigrantes. Os cercopitecos-de-colarinho-branco servem-se deles e comem-nos de cebolada.
P.S: Obviamente, não se incluem na categoria dos cercopitecos todos os que vêm no CR7 o talento e a inspiração para atingirem os seus sonhos. Se CR7 os ajuda nesse sentido, tanto melhor.

Qualifica privado

A frase mais acertada, que me atingiu em cheio, veio hoje em tom de brincadeira da minha filha, enquanto eu me entretinha no blog:

-És uma triste!

Qualific@

Na sexta-feira 13, o meu filho ofereceu-se para ir para a Qualific@, na Exponor, onde a escola tinha um stand. Fiquei surpeendida por este acto benemérito. Ao que ele respondeu que só foi porque conta para o CASE, que não é estúpido a ponto de se oferecer como voluntário para algo sem obter nada em troca.
Felizmente, calhou-lhe o turno das 18 h e não teve que gramar com o discurso da Ministra da Educação. A pobrezinha, no seu casaquinho castanho, foi vaiada e confessou já estar habituada a estas coisas da vida.
Da Feira, trouxe três informações relevantes:
a) que o exército está por todo o lado a tentar recrutar interessados, em estado óbvio de desespero. Até oferecem lápis, com o número de telefone de recrutamento incluído e grátis, entre outro merchandising.
b) que pensa dedicar-se ao airsoft (modalidade desportiva que conheceu e o fascinou) logo que tenha idade para isso. Se fosse num país decente já teria. Aqui é só para maiores de 18 anos. Ao que percebi, trata-se de simular guerrilha urbana ou na montanha, mas com gentleman's rules. Uma transposição dos jogos de computador para o real, que não deixa de ser curiosa. Um upgrade qualitativo do paintball.
c) Que nunca viu tanto parolo junto, eram para aí uns 500.000 Cristianos Ronaldos, todos de brincos e de crista (ao que parece, a praga está a alastrar-se rapidamente porque ontem também vi três na minha rua, num espaço de 10 minutos, um com mulher e um pequeno Cristiano Ronaldo filho de cerca de 4 anos).
Olé! Qualific@.

De Alberto João Jardim

"-O que é que pensa do aborto?
-Governa mal e é um grande mentiroso."

sábado, 14 de fevereiro de 2009

Julian Beever: Chalk Art, ilusões 3D


Rosa de Inverno

Portugal no tempo do MEC "Da Causa das Coisas" & outros


Tempo fantástico esse. O MEC estava no seu auge. Portugal era um país a sério.
Havia couves galegas em qualquer beira de estrada. Era só apanhar para fazer um caldo verde saboroso. Vendiam-se batatas, cebolas, alhos e tomates a seguir à Póvoa do Varzim, a caminho da Estela. Era indispensável comprar melões e melancias na viagem para o Algarve, a seguir à ponte, em Vila Franca de Xira, onde a paisagem se espraiava com aquela igreja semidestruída no meio de um imenso baldio dourado, de uma beleza inesperada. A Estalagem "Gado Bravo" recebia os comensais. Respirava-se de alívio ao fim de não sei quantas horas ao chegar ao Algarve. Nas férias de dois meses na casa em Vilamoura, deitava-me sem preocupações, de barriga para o ar, ao lado da piscina iluminada, enquanto via um sem número de estrelas cadentes e olhava os insectos desvairados com a luz. Vilamoura ainda consistia num pequeno conjunto de urbanizações aprazível e a praia dos tomates quase não tinha ninguém. Entre a Quarteira e a pitoresca Albufeira havia imensos pinhais.
Foi no Clube de Tiro de Vilamoura que o meu pai me ensinou a atirar aos pratos. Nunca mais perdi a paixão pelo tiro. Por essa altura também comecei a jogar golfe, adorava as caminhadas, o cheiro da relva recém molhada e o prazer de acertar em cheio na bola.
Não se podia fazer uma viagem de mais de 100 quilómetros sem aparecerem, pelo menos, meia dúzia de camiões carregados de fardos de palha.
A criminalidade mais grave, inevitavelmente, resultava do tipo que se passava quando via a mulher na cama com outro, ou se zangava com o vizinho por causa de uma questão de terras. Pegava na caçadeira ou no machado e matava os culpados, a seguir arrependia-se e entregava-se à polícia. Era tudo muito simples, tudo linear. Estava apaixonada, já não sei bem por quem, acho que pela vida, e divertia-me nos fins-de-semana. Estava tudo alinhado no meu universo. Era nova, livre, tinha a vida pela frente. Viajava sózinha pela Europa e pelo mundo, sem medos, pânicos, ou fobias. No último dia de uma dessas viagens, que durou mais de dois meses, tive que dormir no aeroporto de Frankfurt porque já só tinha 20 marcos e o avião partia na manhã seguinte.
Não havia telemóveis e os telefones nem sempre funcionavam de um país para o outro.
Cantaram-me os parabéns, em diversas línguas ao mesmo tempo, uma multidão de amigos, quando fiz 25 anos, em Schwäbisch Hall, desde chilenos até noruegueses. O pub era acolhedor e eu, gozada no início por não beber nada, já emborcava três copos de cerveja e ficava na mesma, ou deliciava-me com o vinho ao copo, uma raridade então entre nós. Na madrugada dos meus 25 anos, sentei-me na escadaria da Catedral a ouvir Bach. Estavam a ensaiar para um concerto no dia seguinte. Foi um tempo mágico.
Agora os crimes são complexos, a criminalidade violenta é organizada. Os fins-de-semana são um turbilhão de conflitos mais ou menos encapuçados. Já não viajo há uma data de tempo. Estou amarrada, presa no medo e na desilusão. Já não há camiões com fardos de palha. As estradas perderam a graça. As auto-estradas e vias rápidas rasgaram o país e são chatas até dizer chega. Passa-se pelos locais com pressa e não se aprecia nada. Já não há casa de Vilamoura. Foi vendida, a terra tornou-se uma metrópole insuportável junto com a miserenta Quarteira.
O meu pai morreu. Já não está cá para me ensinar mais nada. Deixei o tiro, deixei o golfe. Deixei tudo o que me dava prazer. Da vida espero pouco. Agradeço muito se tiver saúde e garra para acompanhar mais um tempo os meus filhos, pelo menos até serem adultos. Todos somos procastinadores. Está na natureza humana o instinto de sobrevivência.
Para cúmulo, é uma chatice fazer caldo verde. Vai-se ao hiper- supermercado, supervisionado pela ASAE, e vêm a porcaria das couves já cortadas às tirinhas. O velho caldo verde aburguesou-se, tornou-se europeu, já não sabe a nada, tal como a fruta normalizada.
Dass para esta porcaria toda. Mais valia que o lixo atirado para o espaço caisse e acertasse em cheio nos alvos certos, sem se incendiar na entrada da atmosfera.
O dia de hoje, para mim, deixou de ser há muito dia dos namorados. É apenas o dia de aniversário do meu pai que morreu. Parabéns, onde quer que estejas. Adoro-te. Cada dia, mês e ano que passa sinto mais a tua falta. Egoísmo? Talvez. Eu chamar-lhe-ia saudade. O fado e a saudade perseguem-nos, sabes como é esta treta de ser português.

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Agora saio de fininho porque hoje é Sexta-feira 13 e todo o cuidado é pouco com 600.000 objectos em órbita


Paulo Rangel vs. Pinóquio Pinto de Sousa

Estou de pleno acordo com JPP (in Quadratura do Círculo).
Paulo Rangel tem-se revelado um líder parlamentar notável, trazendo inteligência combativa, vivacidade e brilhantismo ao Parlamento, que até parece um Parlamento Europeu. É sempre um prazer assistir às suas intervenções. Já o Primeiro Ministro, tem-se revelado medíocre nas respostas. O debate de quarta-feira passada foi exemplar a este respeito. Tive o prazer de assistir a algumas partes, nomeadamente às questões que Paulo Rangel colocou sobre o serviços secretos e a justiça e sobre a liberdade para em democracia caricaturar o Primeiro Ministro. Foi perfeito no fundo e na forma. Já o Engenheiro (?) levantou a voz, amuou e mostrou o seu feitiozinho. Como de costume, não conseguiu disfarçar a irritação e a arrogância.
O Engenheiro (?), inclusive, compara-se a Obama: está a fazer tudo para Portugal ser um país moderno e tecnológico, mas só aqui é que a oposição não deixa.
Também acho que é uma hipócrisia miserabilista acreditar que o Primeiro Ministro só ganha e só deve ganhar 5.000 euros por mês. Como é óbvio, com esse dinheiro não pode manter o nível de vida que tem, nem comprar fatos Prada, Armani e afins. Só se fosse apenas aos saldos, viajasse em low costs e fizesse as refeições na tasca do tio Joaquim, e mesmo assim... Só não vê quem não quer.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Para terminar o dia em grande: Gipsy Kings

Questions




O que é que Darwin fazia às corujas mortas?

E se o marido lhe chamasse pernas de jumento?


Dos sapos. Esta imaginação só pode dever-se à erva do privada

Vinha a guiar o carro, perdida no passado, quando tive que travar de repente para não bater na traseira de um camião com um desenho enorme de uma garrafa de vinho verde branco "Boca de Sapo". Pensei, que nome estúpido para dar a um vinho. Vai daí, comecei a pensar nos ciganos e no horror que eles têm aos sapos. Explicação, por exemplo, para a estranha decoração que há uns anos atinge a "Gambamar", com horríveis sapos verdes à entrada, atrás dos balcões, e outros mais pequenos em tudo o que é recanto. No princípio, pensei que estavam malucos, mas depois fui-me apercebendo da coisa. Os ciganos começaram a gostar do local e a clientela habitual mais esquisita não gostava dos modos ultra animados deles, porque cantavam e falavam muito alto e, acho eu, sobretudo, porque o grande número a amedrontava.
Então fui mais longe na minha imaginação e pensei no que poderia propor ao Quaresma, se fosse uma ex zangada com ele mas armada em santinha. Mandava-lhe um e-mail qualquercoisa@sapo.pt e convidava-o para um jantar de make up sex, sem compromisso. Ia buscá-lo num carro antigo, "Boca de Sapo", com um longo vestido verde e brincos de esmeraldas e brilhantes em forma de pequenos sapos. O restaurante chamar-se-ia "O Príncipe Sapo". O menú incluiria pernas de rã de entrada, servidas em pequenos sapos de louça das Caldas, a condizer com um grande sapo verde como centro de mesa. Depois, para aliviar, teriamos um prato de lagosta regado com um vinho verde branco "Boca de Sapo". Para sobremesa, sapos de chocolate com natas. Se chegássemos à parte de tirar a lingerie, seria branca com pequenos sapinhos a dizer "amo-te, és o meu Cristiano". Naturalmente, teria que lhe oferecer meia dúzia de boxers da Throttleman com vários motivos de sapos. Se ele ainda não tivesse fugido e começasse a avançar, eu diria:
- "Querido, hoje não posso porque estou com sapinho".
E agora a piadola previsível: acham que ele engoliria este sapo?

Agenda Cultural portuense

A nossa cidade, em tempos Invicta, está com uma agenda cultural de fazer inveja a qualquer cidade cosmopolita. Primeiro, tivemos o sucesso da Feira dos Bruxos na Alfândega, promovido por Mestre Alves (o senhor dos "monelhos de cavelo"), hoje abre a 2ª edição do Eros Porto, salão erótico do Porto que, curiosamente, é no pavilhão multiusos de Gondomar. Provavelmente, dada a falta de dinheiro, Cicciolina, já cinquentona, é "la madrina" do evento. Será que o Major lhe vai pedir um autógrafo? Se ninguém aparecer por aqui hoje, já sei onde estão. O Funes, então, é um ferrinho. E a Blimunda, por certo, não vai querer perder as novidades. O que vale é que já estou preparada para um sitemeter pequenino.
.....
E não é que o Major não apareceu no grande opening! Burro velho, obrigou o vereador a ir e a fazer o caricato discurso em que afirmava que o primeiro filme de adulto que viu, sim porque ele também gosta dessas coisas, era protagonizado pela Cicciolina e que gostou muito da sua actuação. Tinha que "honrar la madrina" de alguma forma. Só tive pena de não fixar o nome do vereador. Isto é Portugal no seu melhor!

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009