quinta-feira, 30 de julho de 2009

Vi claramente visto

Ela entrou no rio calmo
numa tarde de sol
Os tons alaranjados do fim do dia
reflectiam-se nas águas límpidas

Tinha um vestido cinzento
até abaixo dos joelhos
Encheu os bolsos de pedras
Pedras muito pesadas

Escolhendo cuidadosamente as cores
À medida que as ia colocando
sem pressa
uma a uma
uma a uma

Entrou calmamente no rio
Começou a caminhar
Lenta, mas determinada
Foi caminhando

Caminhando...
passo a passo
passo a passo
Até desaparecer

Ali
Onde hoje o rio
se cobre de flores de lotus

philip glass - the hours

Banana Republic

Adoro! Tem tudo o que uma mulher em stress pode desejar: I buy therefore I am.
Se ao menos tivéssemos uma Banana Republic! Cá está uma importante diferença entre ser e ter: somos, mas não temos.

Acordo e concordo.

Devia ser criado um Instituto Público de Defensores Oficiosos, à semelhança do que se passa no Brasil (como estrutura), e evitar esta macacada de nomeações pela Ordem dos Advogados de imberbes ou não imberbes que se limitam ao "Peço Justiça!" ( quando não pedem a pena máxima...), porque não têm capacidade para mais ou/e não é economicamente compensatório. O desgraçado que não tem dinheiro para custear o advogado, sobretudo quando é a parte mais fraca frente a entidades economica e politicamente poderosas, munidas dos seus advogados de Audi topo de gama e botões de punho (ou mais grunhos, mas igualmente com status), de grandes ou médias sociedades, como será a normalidade, fica ainda mais desprotegido, achincalhado e desgraçado e esta merda é tudo menos um Estado de Direito que assim se auto-proclama.

J. Max Bond, Jr., New York Visionary


Audubon Biomedical Science and Technology Park in Upper Manhattan.

quarta-feira, 29 de julho de 2009

SCP-TWENTE: o Sporting Clube de Portugal é um grande clube,

Grande Penalty! Já é um clássico. O Liedson corta-se sempre, recusa, por causa do bruxedo. Os outros vão amedrontados. Mesmo o grande capitão, que é um jogador à FCP. O problema está na baliza norte. Deviam ter alguém do além a proteger as duas balizas.
Este jogo é uma emoção do princípio ao fim. E o Caicedo ainda não se levantou para este jogo, nos próximos, upa, upa.
Safa-se o Matias Fernandez, grande surpresa! Também estou esperançada no noivo da Floribela, que acabou de entrar.
Talvez ao minuto 91?
Ohhhhhh! Então Kufu?

Episodios de um Romance de Obsessão e Esquizofrenia

Freud mirou Breuer com espanto.

- A verdade? O amigo não tem desespero, o amigo tem tudo! É invejado por todos os médicos de Viena; a Europa inteira recorre aos seus serviços. Muitos excelentes estudantes, como o jovem e promissor doutor Freud, estimam cada palavra sua. A sua pesquisa é notável, a sua esposa a mais bela e sensível mulher do império. Desespero? Porque, se está na crista da vida?

Breuer pôs a mão sobre a de Freud.

- A crista da vida! Disse-o bem, Sig. A crista, o ápice da subida da vida! Mas o problema das cristas é que logo vem a descida. Da crista, posso divisar o resto dos meus anos estendidos diante de mim. E a visão não me agrada. Vejo apenas envelhecimento, definhamento, filhos, netos...

- Mas - o alarme nos olhos de Freud era quase palpável - como pode dizer isso? Vejo o sucesso, não a queda! Vejo segurança, aclamação, seu nome ligado perpetuamente a duas grandes descobertas fisiológicas!

Breuer recuou. Como podia admitir ter conduzido toda sua vida apenas para descobrir que a recompensa final não era, afinal, de seu agrado?
Não, essas coisas teria que manter para si. Certas coisas não se contam aos jovens.

- Deixe-me colocar nestes termos: aos quarenta, vemos a vida de uma forma inimaginável aos 25.
- Vinte e seis. Quase 27.

Breuer riu.
(...)
Despertando, Breuer abriu lentamente os olhos e olhou Nietzsche. Continuou sem falar.

- Não vê, Josef, que o problema não está no seu sentimento de desconforto? Que importância tem a tensão ou pressão no seu tórax? Quem foi que lhe prometeu conforto? Dorme mal! E daí? Quem foi que lhe prometeu um sono tranquilo? Não, o problema não está no desconforto. O problema é que você sente desconforto pela coisa errada!

-

In When Nietzsche Wapt - Irvin D. Yalom

Ainda que com receio de acabar assassinada com a língua azul,

como aconteceu àqueles monges que todos conhecemos da ficção, sou obrigada a denunciar a situação kafkiana a que chegou o meu local de trabalho, usando metáforas para tentar escapar. Acabam uns, os normais, vêm outros, os que recorrem normalmente, mas depois aparecem os que recorrem especialmente e os que recorrem especialmente, especialmente e os que recorrem especialmente, especialmente, especialmente e os que recorrem especialmente, especialmente, especialmente, especialmente. E a coisa multiplica-se em labirinto até ao infinito, de modo que quando acabo os 1661 que já li, aparecem mais 61 e quando esses acabam aparecem mais 16 e novamente mais 26 e novamente mais 6 e a coisa vai até ao infinito, porque os que recorrem especialmente continuam a recorrer especialmente e fica sempre pelo menos 1 para ler, a que se juntam os trabalhos acumulados dos mais variados cursos do 3º ciclo, os júris e a burocracia do campus virtual, já que campus à boa maneira inglesa ou americana, não temos, só um pequeno campus de relva que não se pode pisar. Mas o campus virtual engole-nos todos os dias e os e-mails são às centenas e tudo volta ao início mas em espiral de desespero e não há férias nem em Agosto, porque há sempre aquele um e a investigação que ficou para fazer, livros e artigos semiacabados ou mal começados e já tenho um dedo azul, espero que a tinta deste não esteja envenenada por saber que ia ter menos que 4. E é bom mandar a pontuação para as malvas como todos eles, mas ainda continuo a escrever "requisitos", são merdas que me ficaram do passado egóico.

Sou só o carteiro, mandaram-me entregar, com um lacinho, para um tal de Jardim Gonçalves, da Costa Nova, é para colocar no iate da frente à esquerda




"(...)Hitler era candidato (derrotado) a presidente da república e termina em 1943, com o mundo submetido a um processo de transformação pelo fogo"

A impossibilidade de participar de todas as combinações em desenvolvimento a qualquer instante numa grande cidade tem sido uma das dores de minha vida.
Sofro como se sentisse em mim, como se houvesse em mim uma capacidade desmesurada de agir. Entretanto, na parte de acção que a vida me reserva, muitas vezes me abstenho e outras me confundo.
(...) A ideia de que diariamente, a cada hora, a cada minuto e em cada lugar se realizam milhares de acções que me teriam profundamente interessado, de que eu certamente deveria tomar conhecimento e que entretanto jamais me serão comunicadas — basta para tirar o sabor a todas as perspectivas de acção que encontro à minha frente.

O pouco que eu pudesse obter não compensaria jamais esse infinito perdido. Nem me consola o pensamento de que, entrando na confrontação simultânea de tantos acontecimentos, eu não pudesse sequer registá-los, quanto mais dirigi-los à minha maneira ou mesmo tomar de cada um o aspecto singular, o tom e o desenho próprios, uma porção, mínima que fosse, de sua peculiar substância.
in 'Confissões de Minas' de Carlos Drummond de Andrade

terça-feira, 28 de julho de 2009

Inacreditável

Prepararam a infusão com plástico e tudo.
-Ai, antigamente não vinha embalado...
Não, não vinha? E por acaso não sabia a plástico, não? Vou respirar.

High Leaf

Alguém se dirige para a porta. Espera com impaciência o que há-de trazer mais vinho. Palpita-me que vai dar molho. Não me interessa, vão preparar a infusão.
Dói-me o estômago.
Se não voltar hoje, não temam, volto amanhã e com mais textos emocionantes. Vou devolver o portátil, a Saphou quer dizer umas coisas sobre as ancas, coxas e peitoris do CR9. Arlindo recita poemas inéditos de Bocage. A Saphou proibe-me de lhe passar o pc.

O Arlindo comeu os grelos todos de uma vez

Estamos a ver o perfil do Mestre no face book.
Estamos como quem diz, Arlindo continua a treinar exercícios de respiração. Partilhei a travessa com ele e juro para nunca mais. Uma hora a lamber espinhas. Grelos nem vi, diz ele que nao fazem parte do prato. Estou feito. Cheinho de fome. Fogo.

Está uma pessoa a ver um jogo de futebol,




Real Madrid v. LDU de Quito, e os tipos da Sport TV1 passam o tempo todo a falar de Ronaldo: primeiro a justificar porque é que ele tem sido uma desilusão face ao esperado pelos adeptos; depois, quando consegue e marca a grande penalidade, porque é que ele já está a passar a ser bestial outra vez. Não há pachorra!

Vão comprar a camisola e CALEM-SE!

Privada, como estás a ver mal, fiz o jantar, espero que gostes

Se vires desfocado, é dos teus olhos. Clica para aumentar ou usa uma lupa. E bota FML-Neo em cada olho: uma gota de 4 e 4 horas. Também te preparo uma infusão de uma tal Mariajoana, que tem um efeito muito benéfico para a vista.

R & R Blimunda, credits to videojug.com


Sleep Well: How To Relax Using Deep Breathing Techniques

Expressões populares do agrado de Saphou

Caem-te os parentes à lama se tiveres que limpar as retretes?

P.S. No caso de Funes, ele próprio se atira para a lama a atira os parentes por puro prazer. A expressão não se aplica.

O melhor retrato da Hipocrisia

Compor a candura com os elementos negros que trabalham no cérebro, querer devorar os que o veneram, acariciar, reter-se, reprimir-se, estar sempre alerta, espiar constantemente, compor o rosto do crime latente, fazer da disformidade uma beleza, fabricar uma perfeição com a perversidade, fazer cócegas com o punhal, pôr açúcar no veneno, velar na franqueza do gesto e na música da voz, não ter olhar próprio, nada é mais difícil, nada é mais doloroso.

O odioso da hipocrisia começa no hipócrita. Causa náuseas beber perpetuamente a impostura. A meiguice com que a astúcia disfarça a malvadez repugna o próprio hipócrita, continuamente obrigado a trazer essa mistura na boca, e há momentos de enjoo em que o hipócrita vomita quase o seu pensamento. Engolir essa saliva é horrível. Juntai a isto o profundo orgulho.

Existem horas estranhas em que o hipócrita se estima. Há um eu desmedido no impostor.
O verme resvala como o dragão e como ele retesa-se e levanta-se. O traidor não é mais que um déspota tolhido que não pode fazer a sua vontade senão resignando-se ao segundo papel.
É a mesquinhez capaz da enormidade. O hipócrita é um titã-anão.
Vitor Hugo
Se a Blimunda se antecipa com o Shakespeare, só nos resta o inferno do Vitor Hugo

Mr. Magoo enfrenta-os a todos, qualquer que seja o gang; a sorte protege os pitosgas

Atenção, o Magalhães um milhão

foi-me ontem oferecido por Sócgates, o Pinto de Sousa. Zézinho para os mais íntimos.
Quem disser o contrário, mente!
Graças a esta benesse do vendedor mais bem sucedido na história do hardware em Portugal and abroad, entrei dez anos mais cedo na Sociedade da Informação. Estou infindavelmente grata. Agora já posso passar a escrever acelerada e correctamente na língua de Camões e nas outras (o software já foi corrigido, ou ainda é magalhanês?). O meu semianafabetismo, e o dos da minha geração e mais velhos, deve-se a esta coisa em que tenho que carregar nas teclas até ter calos nos dedos.
Com o Magalhães tudo mudou, como, aliás, já foi possível constatar nas provas nacionais de português deste ano.
Pena o apagão com os bloggers, seria uma oportunidade para moi agradecer em videoconferência e para vous constatar in loco que este blog também diz mal de V. Exa.

Erick Janssen -Tke Kinsey Institute

Nem a crise, nem o stress, afectam a vida sexual, segundo o sexólogo de renome mundial. Pelo contrário, melhoram a relação, por funcionar como um refúgio, desde que haja laços afectivos fortes. Ao contrário do sexólogo da treta do blog vizinho, este sabe do que fala. Sugiro que lhe envie um e-mail para obter resposta à sua dúvida sexológica.