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segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Dos macacos II

Quando cercopiteco-de-colarinho-branco é apanhado em qualquer acto violador dos princípios que regem a convivência entre os primatas, faz um ar de amuo, mostrando-se muito indignado perante os outros símios que o rondam dias ou semanas a fio emitindo fortes gritos de indignação. Depois desta exposisão pública, o cercopiteco-de-colarinho branco é sujeito a um processo de intenções demorado, levado a cabo por macacos experimentados, mas ao fim de muito tempo a montanha tende a parir um rato. O cercopiteco abana menos a cauda por um período relativamente curto e retorna à sua vida. Por vezes ninguém o encontra, sequer. Vai para paragens mais amenas.
Uma subespécie muito comum entre os macacos nacionais, com caraterísticas cumulativas com o cercopiteco-de-colarinho branco e outras espécies, é o colobo-ratus. É um tipo muito comum. Indiferenciado. Caracteriza-se por ser o primeiro a abandonar o barco quando as coisas correm mal. "Quem eu? Eu nem o conhecia", "Está doente? Coitado, alguém tem que fazer alguma coisa por ele. Infelizmente estou muito ocupado". "Sente-se sózinho? Problema dele", seriam formas de exprimir em linguagem humana os seus grunhidos. Encontra-se por todo o lado. Normalmente cruza com a subespécie colobo-venha-a-nós. Ambos só são conhecidos pelo comportamento que assumem, de modo que devemos usar o método behaviorista para os detectar. A aparência extena é compatível com a de qualquer espécie de macaco.
(to be continued)

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Dos macacos

Na ilha de Bioko, perto da costa dos Camarões, parte da Guiné Equatorial, onde fica Malabo, a capital, ilha praticamente prístina, há sete espécies de macacos, entre os quais seis subespécies únicas: o dril de Bioko, o cercopiteco-de-preuss, o cercopiteco-de-nariz-branco, o cercopiteco-de-orelha-vermelha, o colobo-preto e o colobo-vermelho.
Em Portugal, na ponta de uma península na cauda da Europa (ou no focinho da Europa, consoante a perspectiva de cada um), quantas espécies de macacos haverá? Adianto que em Bioko, por causa da caça furtiva, estão em vias de extinção, mas em Portugal abundam, seria bom até abrir-lhes caça.
Começo com uma espécie:
-O cercopiteco-de-colarinho-branco, com três subespécies: o cercopiteco-selfmade; o cercopiteco-de-boas-famílias; o cercopiteco-jobs-for-the-boys.
Características comuns, além do colarinho de pelo branco: uma boa rede de relações interprimatas, esperteza e rapidez de movimentos, ocupação de territórios, por vezes bem ocultos, com árvores de topo e nutrientes gourmet. Diferenças: o selfmade é um trabalhador nato, orgulha-se do império que construiu e está sempre na labuta, não pode ver um macaco parado; o de-boas-famílias tende a relaxar à sombra das bananeiras, geralmente, teve um selfmade como antepassado (que enriqueceu à custa das batatas, do contrabando, ou outros); o jobs-for-the-boys vive do bluff e das influências, o que requer algum trabalho, sobretudo na juventude, e um certo jeito para lamber as patas dos primatas mais influentes. O de-boas-famílias tende a gozar o selfmade, porque este é muito garrido e tem um pequeno verniz nas unhas que estala facilmente em situações de stress. Mas só goza em privado, como regra. É comum cumularem-se as características de de-boas-famílias e job-for-the-boys no mesmo símio. Basta que a espinha dorsal seja flexível e a necessidade ultrapasse os valores (por exemplo, quando o símio é nobre mas teso) . O jobs-for-the-boys também se encosta ao selfmade, mas arrisca-se a levar umas unhadas se não trouxer valor acrescido. O selfmade tende a ser inflexível.
(to be continued)