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domingo, 12 de julho de 2009

D. Afonso Henriques e Lusofonia

E daí, caso se viesse a apurar que D. Afonso Henriques apenas teria entre 1 m e 40 cm e 1 m e 50 cm? Ou mesmo que era anão? Os portugueses sentir-se-iam diminuidos com isso?
A enorme espada atribuida a D. Afonso Henriques nunca foi dele, já que só foi forjada no Século XVII. E daí?
Fez surgir esta coisa a que hoje chamamos Portugal, cometendo, pelo menos, um dos sete pecados capitais: desobedeceu à mãe.
Porque não, abrir o túmulo para fins de investigação científica? O que é que o Ministério da Cultura teme?
Será que Portugal perdeu com Cabo Verde? É que acordei agora para os jogos da Lusofonia, que decorrem já ao abrigo das regras do último Acordo Ortográfico. Ninguém responde. Obrigadinha, ó Silva. Vou procurar.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Dos macacos

Na ilha de Bioko, perto da costa dos Camarões, parte da Guiné Equatorial, onde fica Malabo, a capital, ilha praticamente prístina, há sete espécies de macacos, entre os quais seis subespécies únicas: o dril de Bioko, o cercopiteco-de-preuss, o cercopiteco-de-nariz-branco, o cercopiteco-de-orelha-vermelha, o colobo-preto e o colobo-vermelho.
Em Portugal, na ponta de uma península na cauda da Europa (ou no focinho da Europa, consoante a perspectiva de cada um), quantas espécies de macacos haverá? Adianto que em Bioko, por causa da caça furtiva, estão em vias de extinção, mas em Portugal abundam, seria bom até abrir-lhes caça.
Começo com uma espécie:
-O cercopiteco-de-colarinho-branco, com três subespécies: o cercopiteco-selfmade; o cercopiteco-de-boas-famílias; o cercopiteco-jobs-for-the-boys.
Características comuns, além do colarinho de pelo branco: uma boa rede de relações interprimatas, esperteza e rapidez de movimentos, ocupação de territórios, por vezes bem ocultos, com árvores de topo e nutrientes gourmet. Diferenças: o selfmade é um trabalhador nato, orgulha-se do império que construiu e está sempre na labuta, não pode ver um macaco parado; o de-boas-famílias tende a relaxar à sombra das bananeiras, geralmente, teve um selfmade como antepassado (que enriqueceu à custa das batatas, do contrabando, ou outros); o jobs-for-the-boys vive do bluff e das influências, o que requer algum trabalho, sobretudo na juventude, e um certo jeito para lamber as patas dos primatas mais influentes. O de-boas-famílias tende a gozar o selfmade, porque este é muito garrido e tem um pequeno verniz nas unhas que estala facilmente em situações de stress. Mas só goza em privado, como regra. É comum cumularem-se as características de de-boas-famílias e job-for-the-boys no mesmo símio. Basta que a espinha dorsal seja flexível e a necessidade ultrapasse os valores (por exemplo, quando o símio é nobre mas teso) . O jobs-for-the-boys também se encosta ao selfmade, mas arrisca-se a levar umas unhadas se não trouxer valor acrescido. O selfmade tende a ser inflexível.
(to be continued)