sexta-feira, 11 de setembro de 2009

O nevoeiro arrasa comigo: poema depressivo corrigido seguindo as indicações de mestre Funes

Dói-me tudo,
da humidade.
Até a alma
foi atingida por líquenes.
Está nevoeiro.
Não se vê um palmo.
O cão do vizinho uiva.
Os faróis avisam os barcos,
com luzes, mas também
com o som triste,
agudo, repetitivo
das roncas,
que não se confundem com os faróis,
pese o facto de os faróis as terem,
para os barcos não encalharem
nos bancos de areia,
nem se espatifarem contra as rochas,
confundindo-as com sereias,
embora só um capitão zarolho
confunda as rochas,
que parecem ter mamas
mas não têm rabo,
com sereias
Ela, o meu sol;
(em alemão -die Sonne- o sol é feminino,
mas os tipos são uns toscos porque o sol
só pode ser masculino e a lua feminina,
ao contrário do que apregoram,
não admira que os nazis perdessem a guerra)
Digo, ela, a minha Lua
foi mais uma vez embora
num dia de nevoeiro.
Quanto a D. Sebastião,
É incerto se quando foi
estava nevoeiro ou não
Apaguem as luzes.
Fechem-me a porta.
Quero estar mais sózinha do que nunca,
É certo que posso ficar sózinha
com a luz acesa,
mas fica mais caro
e é menos poético.
Mas estes blogueiros não deixam
que me dedique à solidão,
nem mesmo permitem
manter uma obscura
prosazinha poética de merda
a puxar ao depressivo.
Dass, dass, dass!

4 comentários:

Bispo alfredo berenguinhas disse...

Hihihihhi!

O que tudo espreita disse...

Como qualquer crítico literário, qual crítico dos erros históricos de "O equador", o mestre tinha que tramar o poema. O que vale a Miguel Sousa Tavares é que se esteve nas tintas para os erros históricos clamorosos.

Funes, o memorioso disse...

Isto sim, é poesia!

amiguinho disse...

Eu diria mais: isto sim, é poesia!