segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Questões existenciais

A solução para uma vida equilibrada consiste em mantermo-nos focados no presente, mas distanciados do ego, dos pensamentos e emoções que nos afectam permanentemente. Como se nos estivessemos a observar, deixando tudo fluir e mantendo a calma.
Admitindo que esta teoria está correcta, como é que isto se faz? Se no presente tenho uma doença, estou com dores, estou a ter um AVC, ou um enfarte, estou num conflito familiar, se, em geral, o presente é um inferno, como é que o Eu Superior se impõe? Como é que se consegue manter a distância nestas circunstâncias?
E se o passado não existe, porque são só memórias, não é muito perigoso não preservar essas memórias, nomeadamente colectivas, para não se repetirem os erros, as guerras, os genocídios? E o que somos no presente não depende do que fizemos no passado, a nível físico, emocional, ou intelectual? Se agora sou obesa, é porque andei a comer erradamente e nunca fiz exercício. Se estou deprimida, é porque fiz as escolhas erradas. Se sofro de fobias ou pânico, é porque tive traumas que se perpetuaram. Se estudei muito e geri bem a minha carreira, provavelmente tenho um bom trabalho que me dá prazer. Se escolhi a raridade do homem ideal, tenho um casamento feliz.
E se o futuro também não existe, para quê motivarmo-nos para qualquer projecto?

14 comentários:

Álvaro disse...

Se estivesse a ter alguma dessa coisas o meu eu superior aposto que se borrava todo.

O passado existe sob a forma de dividas, mas se por acaso é obesa foi porque ganha demais, para comer assim tanto.

Aliás comida é uma coisa mal repartida e alguns são magros porque fazem exercício demais a trabalhar e comem de menos.

Porque será que os pobres não têm dinheiro para ter fobias ?

Mas se o futuro não existe, não vale a pena perder a tempo com isso

Drs filósofos é do piorio.

Este é o meu comentário verificado pela palavra DESTERN

Álvaro disse...

Vai um poeminha do Dr. FEDOR ?

Depois passo por cá, isto agora funciona como no circulo dos leitores

Palavra de verificação anchi

Blimunda disse...

A solução para uma vida equilibrada consiste em termos sabedoria e grandeza suficiente para encadear passado, presente e futuro, nunca deixando nenhum para trás. Viver o presente sem considerar o passado nem acautelar o futuro desembocará na certa em borrada da grossa.

O PARKKXL concorda.

Mofina Mendes disse...

Regra nº 1: Não fazer tantas perguntas juntas.

boodorK

eug disse...

"Admitindo que esta teoria está correcta, como é que isto se faz? Se no presente tenho uma doença, estou com dores, estou a ter um AVC, ou um enfarte, estou num conflito familiar, se, em geral, o presente é um inferno, como é que o Eu Superior se impõe? Como é que se consegue manter a distância nestas circunstâncias?"

Acabei de ler um livro muito interessante de David Icke chamado "Tales from the time loop".

E, nesse livro ele diz que tudo aqui é ilusão. Maya. Matrix.

E pergunta: "Como uma ilusão pode afetar outra ilusão", como p. ex, no caso de um virus afetar nosso corpo. Ambos ilusões.

E responde: "Apenas se você acreditar que pode".

eug disse...

"Se agora sou obesa, é porque andei a comer erradamente e nunca fiz exercício."

Seguindo com o David Icke:

Não.
Ele cita no livro o caso de uma pessoa que há tantos anos não comia mais (lembra daquele pessoal do "Vivendo da Luz"?) e que mantinha saúde e peso adequado.

Essa pessoa deixou de acreditar que PRECISAVA comer para ter saúde e para ter um peso adequado.

Ou como já disse alguém:
"Se você acredita que assim é, ou se acredita que não é, de qualquer forma você está certo/a"

eug disse...

"E se o futuro também não existe, para quê motivarmo-nos para qualquer projecto? "

Supondo que passado e futuro não existam ou que existam em dimensões paralelas, e que aqui em Maya só exista um eterno agora, será isso motivo para eu me suicidar?

E, se nem isso resolver o problema do eterno agora?!

:-)

Argonauta disse...

Servirmo-nos das recordações e memórias assim como fazer projectos para o futuro são actos saudáveis. O problema está no simples facto de que nunca “estamos” efectivamente no presente.
O que estamos a “presenciar” é o resultado da percepção dos nossos sentidos (que até pode ser enganadora, por exemplo: as alucinações) e imediatamente interpretada pela nossa bagagem intelectual e educacional (formação intelectual, educação paternal, religião, etc.). Conhecer alguma coisa, é saber o que é através do nosso aparelho sensorial e cognitivo.
Temos a impressão que o nosso instrumento cognitivo funciona muito bem. Não se trata de um problema quantitativo, mas qualitativo. O pensamento é limitado por si só.
Para percebermos o mundo deixamo-nos guiar pela razão, que funciona através do pensamento discursivo. Ele adora tudo o que possa alimentar a tagarelice interior. Quem não se deu conta da sua própria verborreia interior. Seja a falar em voz, ou em modo silencioso. Isso é a distracção em que o Homem vive constantemente. Nunca está verdadeiramente no presente, nunca no seu próprio centro. Sempre na periferia, atirado pela força centrífuga dos seus actos e pensamentos.
Não obstante o pensamento discursivo poder ser útil na resolução dos problemas práticos, o domínio da verdade pura permanece-lhe inacessível. A capacidade de entender o real sem interferências interpretativas só pode ser conseguida através duma comunhão com o próprio real. Daí que uma verdade espiritual seja incomunicável, pois ela pertence ao domínio “Universal”, não-discursivo.
A realidade do ego é uma inevitabilidade da nossa condição humana. É uma construção das nossas vivências. É uma reacção ao que o exterior nos fez sentir. É a forma do indivíduo se manifestar no mundo. E o mundo engendra o medo. O medo do escuro, do desconhecido, da morte, de não sermos reconhecidos, de não sermos suficientemente bons, de não reflectirmos para o exterior o que pensamos de nós próprios, patati patatá.
O medo e a forma como se reage ao medo é um dos grandes males do mundo. Veja-se todas as formas de agressão e opressão (guerras, atrocidades, manipulações de toda a ordem, etc.), até ao stress pós traumático. O medo não é em si negativo. O alerta perante um perigo ajuda à sobrevivência, Contudo, também pode aprisionar, seja com correntes visíveis ou invisíveis.
A “solução para uma vida equilibrada” estará sempre em não sermos escravos do ego. A solução para os problemas existenciais está em seguir uma verdadeira Via espiritual. Quando digo seguir, refiro percorrer um caminho. Ficar pelo discursivo, pode dar a aparência de uma grande intelectualidade, mas o progresso interior é nulo. Seguir um caminho implica realizar a paz interior. Seguir um caminho, envolve mudar e é isso que “dói” ao ego.
Mesmo correndo o risco de ter sido discursivo, aqui fica dito…

eug disse...

"O problema está no simples facto de que nunca “estamos” efectivamente no presente."

Verdade.

E,
a meditação se propõe a
ser uma ferramenta para lidar
com isto.

Argonauta disse...

A meditação pode ser uma ferramenta para lidar com tudo isso...
Mas, o verdadeiro caminho espiritual, normalmente, é uma pura ilusão fora de uma Via espiritual, e muitas, nomeadamente as ligadas à Tradição oriental, utilizam a meditação como exercício de centralidade.
Não sei se há respostas "satisfatórias" para as dúvidas existenciais. A palavra até pode ser boa, mas se não for aquela que esperamos ouvir poderá não ter qualquer receptividade.
A "coisa" passa, em grande parte, pela nossa capacidade de "escuta". O nosso mérito está em lhe dar a devida atenção quando a oportunidade se depara.
Uma palavra, uma outra perspectiva, pode fazer vibrar algo em nós, e então podemos sentir que a Vida contínua ali presente em nós. A Vida quer a vida. Existe uma vontade na Vida que não depende de nós. Aliás quanto mais a nossa mente interfere, pior para nós. Repare-se nos efeitos no organismo do stress crónico.
As práticas de centralização apresentam-se como actos de confiança numa "Vida Maior", cujo resultado dessa ascese é a pacificação interior. É a conquista desse estado que pode proporcionar uma mudança da nossa atitude perante o que nos rodeia e com nós próprios.
Todas esses sofrimentos de que falas, dificilmente poderão ser aliviados de um momento para o outro. Mas está nas nossas mãos poder, hoje, tomar as atitudes e decisões para que, amanhã, ainda possamos ser felizes...

eug disse...

"Aliás quanto mais a nossa mente interfere, pior para nós."

A mente mente?!

Argonauta disse...

A mente é uma faculdade extraordinária do Homem. Mas, "não há bela sem senão...". A mente interpreta e associa em função de padrões conhecidos (pré-conceitos). Veja-se a forma mais ou menos fácil de "ler" palavras onde as letras se apresentam fora do lugar normal, ou a interpretação de borrões de tinta em psicologia.
Desse processo interpretativo pode resultar uma ideia mais ou menos afastada da realidade. Contudo, o maior problema, para além de excentricidade provocada quando não se consegue dar descanso à mente, são os efeitos que os pensamentos negativos provocam no organismo.
Corpo e mente não existem separados. Essa concepção é mais uma forma do pensamento discursivo tentar compreender o real, fragmentando-o. Interpenetram-se e influenciam-se mutuamente. Basta ver que qualquer acontecimento que nos provoca uma emoção desencadeia uma resposta hormonal (por ex: produção de adrenalina). Por outro lado, o relaxamento muscular permite criar condições para o relaxamento mental. O problema em estados de maior desiquilíbrio, de que a depressão é um exemplo, está no facto do corpo e mente andarem de braço dado, havendo uma grande dificuldade em se atingir a pacificação interior, pois as tensões nervosas aumentam as tensões corporais, que por sua vez aumentam o estado de ansiedade, e engendram a dor física e psicológica, e a impotência de resolver, transforma-se em mais tensões nervosas.
Dizer que a mente, mente, pode ser exagerado, talvez isso dependa do grau de afastamento entre o percebido e a própria realidade.

eug disse...

Você é somente uma testemunha e nada mais

http://www.saindodamatrix.com.br/archives/2003/06/osho_a_mente.html

eug disse...

http://openskypress.com/en/blueprints/excerpts.php

(...)
It has been suggested that the mind must be destroyed for liberation to occur. Do you have a mind?

No, no. The mind is illusion. The mind does not exist anymore. I don't know what mind is.
(...)

Could you say, 'I am not attached to my mind'?

No, there is no mind at all to be attached to! Attachment is a different thing. I don't have a mind at all, it does not exist, it's an illusion. And once you cut off that illusion, where does it come from? There is no mind at all. It is just an illusion.

(...)

When Western people come with their minds, their sufferings, their worries, tensions and fears, can you understand immediately that this is an illusion, that this is not true? What do you say to them?

Whether a person is Western or Indian, all suffering and pain are illusions. You are dreaming and you believe that you are having a nightmare; you dream that a tiger is chasing you, but it is an illusionary tiger and illusionary fear too. Any suffering, whether it is Western or Indian or whatever, is like that; all suffering is illusion. You imagine you suffer, that's it. There is no suffering really. Everything is perfect in you.

(...)