terça-feira, 2 de junho de 2009

Farta de estar a remoer,

ela saiu, para arejar, quiçá comprar alguma coisinha. As compras funcionam como a comida emocional. Escolheu a loja, estacionou o carro. Vestiu e despiu roupas, umas atrás das outras, até se sentir bonita. Acabou por comprar uma T-shirt fabulosa que lhe arrancou um sorriso.
Ao sair, um carro em segunda fila reteve-a. Também não tinha vontade de voltar para casa.
-Peço muita desculpa, disse ele.
-Não há problema, não tenho pressa nenhuma. E cheguei agora mesmo.
Ele sorriu um pouco encabulado.
Ela também. Afinal, não é todos os dias que Brad Pitt nos impede a passagem.

Das ofensas e outros demónios

Ontem ela foi caminhar ao fim da tarde, envolta no nevoeiro. Sentia-se triste, desiludida, ofendida, zangada, mesmo, com uma série de acontecimentos recentes que feriram a sua sensibilidade, trouxeram os seus fantasmas e aumentaram os seus medos. Acompanhada pela maldita dor de cabeça que ameaçava instalar-se, foi procurar o seu Dom Sebastião.
Quando as lágrimas ameaçavam sair, num misto de tristeza e raiva, viu um barco de madeira, envolto na bruma, saído do mar. Nele brincava uma criança pequena, sozinha. Sentou-se a observar enquanto ela subia e descia o escorrega, vinha à proa e corria até à ré. Estava tão divertida, vestida de branco, no meio do nevoeiro ao fim da tarde... Ela descentrou-se e sorriu com a criança. Afinal, tudo o resto não existia, apenas ela, a criança, o nevoeiro e o barco.
Focou-se no presente, olhou a beleza em redor, esqueceu as ofensas, a tristeza, as mortes acumuladas. Por alguns minutos, conseguiu respirar tranquila. Quem diria? Afinal, Dom Sebastião volta mesmo quando o procuramos numa tarde de nevoeiro, nem que seja num barco de brincar, sob a forma de uma criança de vestido branco aparecida do nada.
Hoje, infelizmente, os demónios voltaram bem cedo pela manhã, deixando a cabeça a latejar.

Marinho Pinto não se demite,

tirem o cavalinho da chuva. Pode ser destituído? Posto fora a pontapé? Outra sugestão? Qual?

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Picasso: las meninas

Começou o domínio do mundo pelos Funes esquerdelhos

Mauricio Funes, o primo do Vice, tomou posse, para um nuevo El Salvador. É apenas o início do já anunciado domínio do mundo pelos Funes. Temei, são os sinais dos tempos. Mauricio Funes é muito amigo de Hugo Cháves, o tal que ia fazer uma maratona de debates em igualdade com os intelectuais sul americanos, nomeadamente Vargas Lhosa, mas razões técnicas impediram-no. Coitado. Fala 4 a 5 horas por dia na televisão nacional, no mínimo, mas logo agora surgiram os problemas técnicos, uns atrás dos outros, insolúveis. Ora o Vice, como é sabido, já tinha poder na Venezuela através da Vénus de Botero. O poder sai agora reforçado graças ao primo Mauricio. O Vice já domina a blogosfera e, por interpostas pessoas, vários países da América do Sul. Tenhamos presente que Hugo Cháves é íntimo de quase todos os tipos que interessam da Sud America. Mais, Hugo Cháves é o mentor de Sócrates, o vendilhão de magalhães, e amigo de Pino e Lino. Qual será o próximo Funes a subir ao poder? Qual é o plano dos Funes para o mundo? Eis a questão que a todos preocupa.
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Fonte: Lusa, 1-06-09, 21h

Provérbio Chinês

Os nossos desejos são como crianças pequenas: quanto mais lhes cedemos, mais exigentes se tornam.

Hoje é o dia de Funes, o birrento, proponho enviá-lo para a Zuzubalândia

Devemos proporcionar-lhe um dia inesquecível, porque só volta a ter outro assim daqui por um ano. Aceitam-se sugestões. Claro que é inconstitucional que trabalhe hoje e há que mantê-lo contente.
Proponho enviá-lo para a Zuzubalândia para ficar entretido por umas horas. Pode levar um amiguinho. Creio que o mais indicado é PBL. Só não sugiro RPS porque é dragão e ainda deve estar a dormir. Não se esqueçam de brincar ao "torta na cara" um do outro.

O fruto de Junho


Em Maio, as cerejas uma a uma leva-as o gaio; em Junho a cesto e a punho.

sábado, 30 de maio de 2009

Wojtek Siudmak: eternal love project




SLN/BPN

Será que nem Cavaco Silva, nem a filha escapam? É apenas o circo dos media? Comprar acções baratas e vendê-las quando estão caras costuma ser o negócio de quem investe na bolsa. O que é que querem insinuar? Insider information ilícita? Quem, como, quando?

sexta-feira, 29 de maio de 2009

O impasse do Provedor de Justiça

Atirem moeda ao ar, mas escolham de uma vez. Não há pachorra para esta birra!

MadreDeus: Haja o que houver- Come what may

In memoriam

Saphou's quotation of the day

Se te apetecer embirrar com o demagógico cartaz de Paulo Rangel, relaxa e respira, concentra-te nos fraldiqueiros,
e não mais serás tentada.


COMBATER A CRISE COM FUNDOS COMUNITÁRIOS. ASSINA POR BAIXO?Vão fazer uma quermesse? Quem é que não assina? Se a massa vier para mim (o lado negro a provocar-me, não me deixarei tentar). E aquela fotografia... (olha a tentação!). Sabemos que o cartaz é feito à medida do povo, mas poupem-me.

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P.S. Não ousem pensar que estou do lado do inquisidor falhado, porque os cartazes desse estão abaixo de cão, os cães que me perdoem. E quando o Sócrates deixa o cabeça-de-lista sem trela, normalmente dá asneira. Veja-se o estilo trauliteiro a que desceu o constitucionalista, ao falar da "roubalheira" do BPN, esquecendo-se, inclusive, que está a cuspir para o alto porque o PS não está inocente neste tema.

Dalai Lama Quotations

If you can, help others; if you cannot do that,
at least do not harm them.

quinta-feira, 28 de maio de 2009

Por onde me perco

Recostei-me numa rocha mesmo à minha medida, com o sol quente do entardecer ainda alto. O mar estava revolto, branco azulado, a espumar contra tudo o que lhe aparecia. Sentia os salpicos da água salgada que batia contra os rochedos mais baixos. No meu poiso sobranceiro, podia estar descansada. Fechei os olhos e relaxei muitos e muitos minutos. Talvez mais de uma hora.
Finalmente, fartei-me da imobilidade e decidi que a luz estava excelente para tirar fotografias com o meu telemóvel de segunda parcialmente espatifado. Queria captar mesmo o momento da água a bater contra a rocha e o splash da espuma branca azulada a espalhar-se por todo o lado. Tentei uma e outra vez. Aventurei-me. Desci e fui mais para a frente. Mesmo quando consegui, apanhei com uma onda nas pernas. Calças de ganga rotas e molhadas, sapatos ensopados, comecei por decidir sentir a areia nos pés, e fui-me descalçando. Depois, arregaçadas as calças, fui caminhando em todas as poças de água que encontrava, invulgarmente quente. Por fim, deixei-me de meias medidas. Decidi aproveitar, já que mais de metade da roupa já estava molhada, perdida por cem, perdida por mil. Dei o meu primeiro mergulho do ano, assim mesmo, com roupa e tudo. Foi magnífico!

Carlos Bernard também conhecido por Tony Almeida, para Blimunda, com um lacinho

Vós que virgulais
toda a noite
em pensamento
(e em acto?),
tende tento.
Non é peccato?

Kim Jong-il é uma criança paranóica, quer que brinquem com ele. Prozac, um bom psicanalista, amiguinhos e mísseis de Lego, eis a solução


A Coreia do Norte usa a ameaça dos seus supostos testes nucleares para tentar deter o risco de uma eventual acção dos EUA contra o regime de Pyongyang. A afirmação parece estranha, mas, segundo Steve Tsang, do Centro de Estudos Asiáticos da Universidade de Oxford, tem uma explicação simples. Tsang diz que a ideia do presidente norte-coreano, Kim Jong-il, de que os EUA querem derrubar seu regime é pouco realista e anterior ao recente anúncio de testes nucleares, mas trata-se de uma "paranóia" desencadeada pelo isolamento em que vive sua administração. "... Kim Jong-il herdou o trono do seu pai e foi criado num ambiente muito fechado. O seu entendimento do mundo é muito particular". Por outras palavras, por culpa do paizinho, Kim Jong-il é tótó, obsessivo e birrento, tem pouco contacto com pessoas reais, dentro e fora do seu país, e uma visão do mundo muito limitada. É o que chamariamos um geek em estado avançado. "Coisa de criança", e o que Tsang diz serem os recentes testes nucleares. Todavia, tal como as crianças, Kim Jong-il quer muita atenção e faz birras. Não levar a sério a ameaça norte-coreana pode ser um estímulo para que a Coreia do Norte faça uma nova explosão, desta vez nuclear, a sério. O tótó é como uma criança que faz de tudo para chamar a atenção e o adulto insiste em a ignorar. Não irá detê-la desta forma. É preciso responder da maneira correta para lidar com a questão. Segundo Tsang, as actuais sanções do Conselho de Segurança da ONU querem mostrar que a comunidade internacional está unida na questão e desaprova as acções norte-coreanas. No entanto, diz que só isso não é o suficiente. "As sanções, por si só, não resolvem a questão, que é fazer com que a Coreia do Norte desista de seu programa nuclear. Pode-se convencer a Coreia do Norte a fazer isso pela força ou através de negociações". O especialista diz acreditar que a Coreia do Norte estaria disposta a negociar e que retomaria as discussões, mas com um grupo menor de países. Segundo ele, a China seria "crucial" nesse processo e teria uma chance para desenvolver seu papel como um "bom" membro do CS da ONU. Ou seja, o tótó quer que os amiguinhos lhe dêem atenção, mas só os amiguinhos que ele escolher. Não convida toda a turma para a festa. Questionado se a Coreia do Norte representa uma ameaça nuclear para outros países do mundo, Tsang diz que a ameaça existe, embora menor do que a representada pelas outras cinco potências nucleares declaradas - China, Estados Unidos, França, Reino Unido e Rússia. "Não acho que eles consigam construir uma arma de longo alcance, mas se quiserem ter armas nucleares para uma explosão do outro lado da sua fronteira, não precisam ter mísseis de longo alcance para isso. Armas sofisticadas seriam necessárias para alcançar um alvo americano, mas não para atacar o Japão ou a Coreia do Sul." Tsang descarta, no entanto, o risco de um ataque norte-coreano. "Tecnicamente, eles poderiam fazê-lo, mas não fariam isso agora porque deixariam a comunidade internacional sem outra opção senão o uso da força, o que levaria ao fim do regime. E não é essa a intenção. A "ameaça" norte-coreana é "paranóia" para deter os EUA, diz o especialista .

Fonte: DANIELA LORETO, Folha Online