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sábado, 12 de dezembro de 2009

O autocarro

Estava de noite e ela com aquele frio a tolher-lhe a alma e os sentidos, decidiu sair. Não podia permanecer na casa silenciosa, fria, que se ria à gargalhada dos seus medos, com ecos de outros tempos a recordarem-lhe feridas que iam abrindo.
-Vou arejar, ver montras, perder-me na multidão. Há muita gente que está só e doente. Não sou mais nem menos do que os outros. Enfrenta a vida como ela vier, dizia-lhe a sua razão.
Ia a entrar no carro quando foi atraída por uns faróis que se aproximavam lentamente e a deixaram fascinada, parada a olhar. Pareciam enfeites de Natal que cada vez se aproximavam mais. Era lindo o contraste do escuro da rua com aquelas luzes que a chamavam.
Ficou petrificada, as luzes mesmo à sua frente. Em décimos de segundo levou com os máximos e ouviu o condutor do autocarro, que se desviava:
-Então não me viu? Para a próxima pode não ter tanta sorte. Palerma!

terça-feira, 4 de agosto de 2009

"É de laço e de nó..."

Dizem que o Homem só deve pensar em descendência quando estiver preparado para criar algo superior, que justifique a evolução e dignifique a humanidade, transmitindo através desse novo ser os ideais que elevam as almas e não as profissões. Estarei, portanto, ocupado nos próximos 10 anos.

Após isso, em 2029, estarei numa pizzaria a cortar vegetais em Paris. Viverei uma vida humilde durante 2 meses nessas paragens, de onde seguirei para Londres, onde serei cantoneiro pelo período financeiramente necessário para seguir para Roma, e assim sucessivamente, até chegar a Cuba. 10 anos após estarei em África a construir abrigos com tijolo de 7´.

Com 70 anos, regressarei a Portugal para preparar o fim da viagem, procurem-me no monte, entre os cedros, os pinheiros e as salvias. Lá estarei rodeado por violetas, flores do campo, a ler e a fumar charros. Se, em vez de mim, encontrarem um homem louco, de longas barbas, mãos trémulas e a tosse convulsa, perguntem-lhe, ele saberá dizer onde estou. Muito provavelmente a subir e a descer embalado entre os dois cornos das alturas, na minha bicicleta de farolim.