Reúne o homem os homens, que riem e desprezam a crise, queixam-se de ganhar mal apenas, e isso nada terá que ver com a crise ou com o país, mas sim com o homem. Com o homem que sonhava novo equipamento, novas pessoas, aumentar ordenados, fazer acontecer, sonhava apenas.
O homem que aplicou tudo o que aprendeu na academia e na vida, que viu todos os seus recursos de aprendizagem esgotados.
Passavam os dias e os meses, os ordenados saíam das contas de um orçamento provisional esgotado. A contabilidade de custos dependia dos mapas de produtividade preenchidos minutos antes da chegada.
O homem olhava-os. Riam e troçavam: - se não está satisfeito mande-me embora e pague-me os direitos - e afinal era isto a matriz da parca macroeconomia?!
A cada reunião faziam menos. Pressentia-lhes no olhar cada vez mais bebida. Não havia garrafas a comprová-lo. Sobejavam espalhadas na escrivaninha do gestor, aterrorizado, numa gaveta, noutra, e até no armário da cozinha.
Quis fazer deles gente da arte, 5 anos de formação, nunca quis ganhar que não fosse para manter a estrutura activa, era uma empresa a médio-longo prazo.
Pagou sempre impostos, nunca apresentou prejuízo, nem sempre a tempo, houve que coordenar. Mas contratou e tratou com dignidade os homens. Foi a tribunal, perdeu e aceitou casos de pura inércia, porque tinha uma empresa.
O homem já não dorme, o homem vacila, o homem tem pena. Ninguém entende o homem, o homem é um comerciante, com capacidade, e, portanto, todos os seus actos são comerciais, mesmo quando o homem esmorece e chora.
Os anos da vida que agora se esgotam, a impotência que o cerca, a família que reclama, que assim, sem dar efectivamente dinheiro, não vale a pena ao homem tanta consumição.
Pega o homem nos livros, nos balanços, compara, risca, pensa. Tudo na cabeça ecoa.
Já não fala, assiste com o ar de quem vê passar a morte ao lado, num confronto directo com a vida.
Chamam novamente o homem a tribunal, todos o querem em tribunal no próximo mês, antes que não lhe restem senão cêntimos.
(Está bacoco? Não se integra no fantástico? Dá curiosidade de saber o que aconteceu ao homem? Deve ter falta de vírgulas, não? Não é um tema motivante? Acham que posso transmitir, sei lá, uma nova forma de ver as coisas, se conseguir que isto seja editado, tipo, dêem a humanidade aos empresários? Hum? Sejam honesto, se está tá merda , tá merda, faço outro).