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quinta-feira, 31 de março de 2011

Era de manhã cedo

a as árvores do antigo sanatório, agora hospital, começavam a florir os seus lilazes roxos. Ela estava nervosa, no bar, onde tinha combinado encontrar-se com o primo, Master da Urologia, que a levaria ao Master da Cardiologia. Ele chegou com passo apressado e ,simpaticamente, perguntou-lhe se estava pronta. Ela sorriu, que sim, que estava...
Começaram a caminhar para o pavilhão central, a comentar coisas de família e a beleza daquela natureza, contrastante como o horror do edifício tipo Vila D'Este, quando  um  assistente de cabelo dourado de oito céus, apareceu. A luz dele ofuscou-a.
Tinha uma mensagem para o primo dela.  
-O ecógrafo esta a morrer, não dá nada. Já fiz as biopsias todas, mas não dá para as ecografias
O primo riu-se. E explicou-lhe, indiferente à combustão:
- Agora vai ser uma burocracia....:comunicação à administração, perguntar ao técnico se vale a pena reparar (veio-lhe à memória a costa portuguesa e os seus radares, vigiada por 50 binóculos), se valer, vai para reparação, caso não, abre-se concurso para compra de um...daqui por um ano e meio temos ecógrafo.
-Este país é assim em tudo..., disse ela, com os calores.
-Mas sabes, tenho uma alternativa, recuso todas as ecografias de hoje em diante. Em três dias temos ecógrafo do mais moderno que houver. O hospital tem que mostrar serviço.
Foi uma risada.
O primo falou ao assistente com o cabelo dourado de esplendor dos oito céus de um doente, que não ia poder operar, porque não ia estar, mas que era urgente
Ele respondeu, com determinação e eficácia:
-Não faz mal, opero mais esse, amanhã tenho agenda. Ela ainda embasbacou mais. Ainda por cima era eficaz e competente. Tem tudo, pensou.
-E não pode operar o ecógrafo? disse-lhe, para meter conversa.
-Esse, infelizmente, já não tem hipótese comigo, sorriu-lhe.  Tudo foi banhado em luz, mas foi por segundos, porque ele disse até logo, e lá foi, determinado, pelos lilazes fora...algaliar mais uns tipos.
Ela e o primo continuaram a conversa sobre o pai Portas, operado ali em circunstâncias muito surreais, o Sampaio, que tinha mictado, como acto prioritário, numa daquelas casas de banho miseráveis da Urologia, vindo de uma visita de Estado à Régua, o aldrabão do Sócrates, que tinha prometido o novo hospital há séculos.
Enfim, chegados à Cardiologia, ele passou-a ao Master, que era um simpático, eficaz e feioso  velhote (continua quando ela tiver problemas na  próstata, de qualquer modo, já foi dizendo ao  primo que tem litíase renal).


quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Conversa às 7.00 da matina

Ela, Miss Vanity insegura, 100% matemática, 100% investigadora, 96% intolerante (segundo os testes do idiota que faz de psicólogo da escola, mas nisto acertou), passou um fim de semana prolongado em casa de uma amiga enfiada longas horas num jacuzzi exterior.
O produto, com extracto de pinho, para misturar na água e fazer bolhinhas cheirosas, dizia na bula colocar uma gota. A amiga despejou o frasco. Sendo de pinho, só podia dar asneira e sem direito a autógrafos ou almoços com empresários de Leiria.
O cabelo, suprema imagem de marca, anda todo gorduroso, agarrado a cabeça.
Grita, desespera-se, RESOLVAM-ME O PROBLEMA!
-Usa um shampoo com a mesma base para lavar petroleiros, aconselho. Usa Linic. Deu cabo de um olho ao teu pai. Deve ser forte.
Ficou combinado. Hoje às 7 horas, estava eu em Bora Bora, ouço uma voz estridente.
-CONINUA MAL. Toca com a mão no meu cabelo. NÃO RESULTOU.
Toco no cabelo com os olhos ainda fechados. Acordou-me por causa desta merda.
-Está óptimo, muito melhor do que ontem, cheio de volume.
-NÃO ESTÁ, grita outra vez. Parece um ninho de ratos.
Passados alguns minutos, o despromovido diz :
-Os ratos não fazem ninhos.
-Demoraste.
-Estive a pensar.
O outro tipo cá de casa acrescenta:
-Despacha-te cabeça de bróculo.
-VOCÊS NÃO SABEM O QUE ISTO FAZ À MINHA AUTO-ESTIMA. JÁ ME CHEGAVA TER A TESTA EM OBRAS.
Tento uma explicação científica:
-Se tivessses bezuntado o cabelo com creme Barral gordo, também ia demorar um tempo a sair.
- INSENSÍVEL. Não tens compaixão.
- Que bom se as aulas dela começassem às 6 da manhã. Não tinhamos que a aturar, diz o despromovido, agora um Troll.
Não tenho compaixão, eu, que tive que a gramar desde as 7 h a dar conselhos. Para a próxima sigo o exemplo deles.
Vou dormir, Xiça. Hoje estou no turno da tarde/noite. Bora Bora recuperar duas horas de sono.

terça-feira, 26 de maio de 2009

Fui buscá-lo à escola,

excepcionalmente, não trazia o colega do costume para a boleia. Eu disse:
-vai ser um momento agradável mãe e filho.
-Pois, pois, retorquiu, com ar de superioridade.
Fomos logo parados por uma grua que fazia manobras na estrada estreita, para a construção de uma série de vivendas geminadas mesmo em frente à escola.
-Faz de deus do trânsito, e abre os caminhos, disse eu no gozo.
-Eu já sou deus, não preciso disto para nada. Tenho o meu povo.
-És deus?
-Sou, e o mais divertido é que tanto posso alimentar o meu povo como atirar-lhe com troncos de árvores para cima, ou raios, ou inundar tudo.
- Tenho que dizer ao Funes, ele quer ser deus.
-Diz-lhe que o teu filho já é deus. Se ele quiser ser, que compre o jogo.
-Como se chama?
-Black and White II
-Isso parece-me uma marca de Whisky.
-Não. Black, se fores um deus mau, White, se fores bom.
-Mas então és um deus mau?
-Não, sou um deus bom ou mau consoante o meu estado de humor. Há também essa terceira possibilidade.
-Isso é mesmo a cara do Funes, tenho que lhe dizer. Quanto custa?
-50 euros.
-Pá, por 50 euros também quero.
-Não, tu não serás deus.
-Ora essa, vou à FNAC e já está.
-Não, aí já não está à venda. Só serás deus se um dia eu quiser fazer-te uma cópia.
-Então serei um deus pirata?
- Que gracinha tão seca. Diz ao Funes para comprar o Black and White II, o I não presta. Ele que procure no e-Bay, porque o jogo já é antigo.
-Já agora, porque é que Funes pode ser deus e e não?
Fiquei sem resposta, entretanto tinhamos chegado e ele saiu.