Sempre quis escrever isto. Cá dê o tradicional médico que nos olhava como
pessoas na sua globalidade e não como pedaços de carne separados e nos
confortava e curava com meios de diagnóstico muito mais reduzidos. Era
um médico experiente e competente que até tinha a delicadeza de vir a
casa, nada que se compare a estes putos que, com raras excepções, não
percebem nada do que estão a fazer, estão a ganhar uns dinheiros, a
trabalhar para sobreviver no sistema. Dos 100 euros o empresário médico ficará com 80% ou mais.
Hoje mesmo estive no suposto melhor médico da especialidade que passou o
tempo a olhar para o computador, para ver se as minhas queixas estavam
provadas no dito. Não estavam, o que dificultou a minha tarefa. Não me
tocou, sequer, e nem sei se olhou para mim mais do que uns escassos
minutos. Lá cumpri o ónus da prova, porque lhe mostrei as ditas análises
em formato analógico e finalmente acreditou.. Não fui tratada como
doente, mas como ré . Acto imediato, cumpriu o protocolo. Despachou-me
com quilos de exames pedidos pela impressora e provados no computador.
Bardamerda! Continuo agarrada à bexiga com dores e numa infindável busca
kafkiana de 7 meses na procura pelo fim das infecções urinárias
recorrentes que me vão liquidar. Em pleno séc XXI, não sabem como
resolver o meu caso. E se o sistema for abaixo, com completas redes
interligadas, deixo medicamente de existir.
Bom dia. Vou trabalhar. Pode ser que alguém leia isto é me dê sugestões de cura.
sábado, 7 de janeiro de 2017
quarta-feira, 14 de dezembro de 2016
Da Guerra das Estrelas e dos Humores
Agora a sério. Darth Vader não é um tipo mau. Está sempre de mau humor porque não é fácil andar de escafandro o tempo todo. Para além disso, o desgraçado é asmático. Passam o tempo todo a acusá-lo e tal mas ninguém tem a bondade de lhe oferecer uma bomba de Ventilan em nenhum dos filmes da série.A vida de Darth Vader é tramada, como é a vida de qualquer dirigente do mal em larga escala. A pressão para não lhe descobrirem o passado é muita. Também lhe podiam dar um Prozac, ou equivalente, porque a depressão do homem manifesta-se por ataques de fúria, o que é vulgar em estados psicóticos graves.
Agora a sério. Darth Vader não é um tipo mau. Está sempre de mau humor porque não é fácil andar de escafandro o tempo todo. Para além disso, o desgraçado é asmático. Passam o tempo todo a acusá-lo e tal mas ninguém tem a bondade de lhe oferecer uma bomba de Ventilan em nenhum dos filmes da série.A vida de Darth Vader é tramada, como é a vida de qualquer dirigente do mal em larga escala. A pressão para não lhe descobrirem o passado é muita. Também lhe podiam dar um Prozac, ou equivalente, porque a depressão do homem manifesta-se por ataques de fúria, o que é vulgar em estados psicóticos graves.
sexta-feira, 18 de novembro de 2016
Gripes e mais Gripes...
Estou atrapalhada a acabar a colecção Outono Inverno de anti-hístaminicos, anti-inflamatórios, anti-pirécticos, analgésicos, antibióticos e outros que tais.Os diversos elixires, para bochechar, snifar ou pulverizar.
Não esquecer as penicilinas, ficam sempre bem a fechar o desfile. É o esplendor na relva!
Estou a ordenar as peças, acho que começo com o Benuron, con un color muy apelativo, e termino em grande com a Lentocilina 1.200.000 Unidades.
Mas a conjugação dos outros está a dar-me cabo da cabeça, do nariz, das amigdalas, a faringe e até a laringe já se quer meter. Não admira que me doa o corpo todo!
Estou atrapalhada a acabar a colecção Outono Inverno de anti-hístaminicos, anti-inflamatórios, anti-pirécticos, analgésicos, antibióticos e outros que tais.Os diversos elixires, para bochechar, snifar ou pulverizar.
Não esquecer as penicilinas, ficam sempre bem a fechar o desfile. É o esplendor na relva!
Estou a ordenar as peças, acho que começo com o Benuron, con un color muy apelativo, e termino em grande com a Lentocilina 1.200.000 Unidades.
Mas a conjugação dos outros está a dar-me cabo da cabeça, do nariz, das amigdalas, a faringe e até a laringe já se quer meter. Não admira que me doa o corpo todo!
domingo, 12 de junho de 2016
domingo, 5 de junho de 2016
Merdas que me acontecem ao acordar
Acordo. É claro como luz. Embora eu seja uma, comassim, utilizadora banal da internet, não me atrevo a bater à porta da deep net ou da dark one, eis que encontro quatro tipos de facebookers, todos criativos, embora nuns a criatividade seja originária, porque não se baseiam em ninguém, noutros é derivada, porque fazem sistemáticas colagens de whatever de terceiros, tipo uma antologia, noutros faz-se de postar olha o que eu estou a comer, olha o filme que estou a ver, ollha-nos a beijar-nos, olha o miúdo vestido de amarelo, olha eu a lavar os dentes....a criatividade é mostrar partes do dia a dia...por fim, há os que misturam tudo. Não maria, comassim, e as sub-classificações? A esta hora? Eu dava-te as sub classificações...in a post in the face. What the heck!
Acordo. É claro como luz. Embora eu seja uma, comassim, utilizadora banal da internet, não me atrevo a bater à porta da deep net ou da dark one, eis que encontro quatro tipos de facebookers, todos criativos, embora nuns a criatividade seja originária, porque não se baseiam em ninguém, noutros é derivada, porque fazem sistemáticas colagens de whatever de terceiros, tipo uma antologia, noutros faz-se de postar olha o que eu estou a comer, olha o filme que estou a ver, ollha-nos a beijar-nos, olha o miúdo vestido de amarelo, olha eu a lavar os dentes....a criatividade é mostrar partes do dia a dia...por fim, há os que misturam tudo. Não maria, comassim, e as sub-classificações? A esta hora? Eu dava-te as sub classificações...in a post in the face. What the heck!
Reflexões
Depois de muito reflectir e irritar por mor dos erros constantes, do acordo ortográfico e de outras merdas, decidi ser liberal e minimalista e criar a Confraria da Vírgula: tudo é admitido na língua portuguesa, excepto uma vírgula entre o sujeito e o predicado. Aí entram sanções severas. Prontes.
Depois de muito reflectir e irritar por mor dos erros constantes, do acordo ortográfico e de outras merdas, decidi ser liberal e minimalista e criar a Confraria da Vírgula: tudo é admitido na língua portuguesa, excepto uma vírgula entre o sujeito e o predicado. Aí entram sanções severas. Prontes.
quarta-feira, 4 de maio de 2016
Do nada...
Quando, daqui a milénios, procurarem a geração da era digital, o mais certo é concluírem, por falta de provas, que a terra era habitada por seres muito primitivos que não deixaram marcas...já agora temos problemas, muda o software ou o hardware, ca dê as dezenas de textos armazenados na cloud que escrevemos? Back up não chega...a mudança de formatos é um problema tramado que neste momento dá dinheiro a uma série de empresas de informática.
Se a isto juntarmos que ninguém sabe ao certo a duração do cimento armado...ficará o nada.
Quando, daqui a milénios, procurarem a geração da era digital, o mais certo é concluírem, por falta de provas, que a terra era habitada por seres muito primitivos que não deixaram marcas...já agora temos problemas, muda o software ou o hardware, ca dê as dezenas de textos armazenados na cloud que escrevemos? Back up não chega...a mudança de formatos é um problema tramado que neste momento dá dinheiro a uma série de empresas de informática.
Se a isto juntarmos que ninguém sabe ao certo a duração do cimento armado...ficará o nada.
segunda-feira, 2 de maio de 2016
sexta-feira, 29 de abril de 2016
sábado, 19 de dezembro de 2015
Da mentira e da verdade
Mas afinal onde está a verdade? Existe e brinca ao esconde esconde com a mentira? Procura-me debaixo da cama, procura-me dentro do armário, frio, frio,....procura antes atrás dos sofás, morno?...desisto, não a encontro. E já não me apetece muito brincar ao esconde esconde.
Às tantas, a verdade não existe e muitas mentiras fazem uma verdade. Então porque raio é que o meu pai passou a vida a dizer-me para nunca mentir, porque mentir é tratar o outro como objecto, deixa de haver comunicação possível. São precisos dois sujeitos para haver diálogo. Tratar o outro como objecto é escravizá-lo e às tantas o outro passa a objecto.
Passados tantos anos só vejo gente a mentir, cada vez mais, desde a mentira piedosa à mentira intencional e maldosa, espalhar o boato para que se torne uma verdade. E às tantas é verdade....e será que quem mente está convencido que é verdadeiro...duvido muito... mas se a verdade for subjectiva?
Pois a minha verdade é que não minto, custe o que custar, sigo os ensinamentos do meu pai que morreu asfixiado depois de anos de sofrimento porque a única verdade sobre a qual ninguém pode mentir é que a morte é para todos.
Ok, não batam mais no ceguinho, sei que nunca irei longe porque não entro em jogos de mentira e poder. Não faz parte de mim. Nem que coma o pão que o diabo amassou. A minha verdade é não mentir. Às tantas estou a mentir a mim própria e a pensar que é verdade....
Foram estas confissões da Saphou, que anda um pouco baralhada e chata, que estive a aturar hoje de manhã. Nem me deixava caminhar aceleradamente contra o vento.
Mas, por falar nisto, o Pai Natal existe?
Mas afinal onde está a verdade? Existe e brinca ao esconde esconde com a mentira? Procura-me debaixo da cama, procura-me dentro do armário, frio, frio,....procura antes atrás dos sofás, morno?...desisto, não a encontro. E já não me apetece muito brincar ao esconde esconde.
Às tantas, a verdade não existe e muitas mentiras fazem uma verdade. Então porque raio é que o meu pai passou a vida a dizer-me para nunca mentir, porque mentir é tratar o outro como objecto, deixa de haver comunicação possível. São precisos dois sujeitos para haver diálogo. Tratar o outro como objecto é escravizá-lo e às tantas o outro passa a objecto.
Passados tantos anos só vejo gente a mentir, cada vez mais, desde a mentira piedosa à mentira intencional e maldosa, espalhar o boato para que se torne uma verdade. E às tantas é verdade....e será que quem mente está convencido que é verdadeiro...duvido muito... mas se a verdade for subjectiva?
Pois a minha verdade é que não minto, custe o que custar, sigo os ensinamentos do meu pai que morreu asfixiado depois de anos de sofrimento porque a única verdade sobre a qual ninguém pode mentir é que a morte é para todos.
Ok, não batam mais no ceguinho, sei que nunca irei longe porque não entro em jogos de mentira e poder. Não faz parte de mim. Nem que coma o pão que o diabo amassou. A minha verdade é não mentir. Às tantas estou a mentir a mim própria e a pensar que é verdade....
Foram estas confissões da Saphou, que anda um pouco baralhada e chata, que estive a aturar hoje de manhã. Nem me deixava caminhar aceleradamente contra o vento.
Mas, por falar nisto, o Pai Natal existe?
quarta-feira, 1 de julho de 2015
Greve dos meus olhos
Estou nisto desde as 8h e não é que os meus olhos se viram contra mim, que não posso estar mais à frente do lap top, que é um abuso, que estão fartos de ecrã. Um deles começa mesmo numa choradeira e fica todo vermelho e recusa-se a ver. Quer a cortina tapada, ou seja, obriga-me a fechá-lo como se estivesse a picar cebolas...e o outro fica solidário com o parceiro, e começa a ameaçar-me...
Isto de ter órgãos que se revoltam contra nós é tramado. Agora estão os dois em greve de zelo, os safados. E não são sindicalizados...
Estou nisto desde as 8h e não é que os meus olhos se viram contra mim, que não posso estar mais à frente do lap top, que é um abuso, que estão fartos de ecrã. Um deles começa mesmo numa choradeira e fica todo vermelho e recusa-se a ver. Quer a cortina tapada, ou seja, obriga-me a fechá-lo como se estivesse a picar cebolas...e o outro fica solidário com o parceiro, e começa a ameaçar-me...
Isto de ter órgãos que se revoltam contra nós é tramado. Agora estão os dois em greve de zelo, os safados. E não são sindicalizados...
segunda-feira, 29 de junho de 2015
Os livros e eu
Depois de reflectir em meditação (mãos em shiva mudra, sentada de pernas cruzadas) concluo que a minha casa é uma biblioteca, com duas pequenas diferenças: tem acessórios e não tem os livros e as revistas catalogados. Tenho que vasculhar nas prateleiras e nos montes para, no fundo, encontrar o livro que quero. Ok, não deixa de ser exercício físico, mas é chato, gosto pouco de agachamentos. Bahhh!
Depois de reflectir em meditação (mãos em shiva mudra, sentada de pernas cruzadas) concluo que a minha casa é uma biblioteca, com duas pequenas diferenças: tem acessórios e não tem os livros e as revistas catalogados. Tenho que vasculhar nas prateleiras e nos montes para, no fundo, encontrar o livro que quero. Ok, não deixa de ser exercício físico, mas é chato, gosto pouco de agachamentos. Bahhh!
sábado, 27 de junho de 2015
Pasta de dentes
Do divórcio
A maior causa de divórcio, logo a seguir à infidelidade e "ao" os homens são chatos? Abrir parvamente a pasta de dentes. O tubo da pasta de dentes deve ser aberto debaixo para cima, ou seja, abre-se por baixo e vai-se enrolando até não haver pasta. O homem não, parvamente, começa a abrir por cima, e não fecha a tampa. Depois acumula-se pasta seca em cima e a tampa não fecha. Para não mencionar o desperdício de pasta de dentes que acontece quando a abertura parva da pasta de dentes é efectuada. Metade ou mais da pobre da parvamente aberta pasta de dentes fica por utilizar. Bahhh...
A maior causa de divórcio, logo a seguir à infidelidade e "ao" os homens são chatos? Abrir parvamente a pasta de dentes. O tubo da pasta de dentes deve ser aberto debaixo para cima, ou seja, abre-se por baixo e vai-se enrolando até não haver pasta. O homem não, parvamente, começa a abrir por cima, e não fecha a tampa. Depois acumula-se pasta seca em cima e a tampa não fecha. Para não mencionar o desperdício de pasta de dentes que acontece quando a abertura parva da pasta de dentes é efectuada. Metade ou mais da pobre da parvamente aberta pasta de dentes fica por utilizar. Bahhh...
terça-feira, 23 de junho de 2015
São João 2015
Para quem não tem São João
Era a festa dele. Organizava tudo ao pormenor. Desde que eu era pequenina. Nessa altura, fazia ele os balões e o fogo de artifício era mais pobre. O jantar era com a grande família em casa dos avós paternos. A festa era no jardim da casa. Mas era grande a animação.
Muitos anos mais tarde, retomou a tradição, agora para os netos.
Comprava uma dúzia de balões, uns maiores, outros mais pequenos, outros gigantes e fogo de artifício até não mais ter fim.
Jantávamos no restaurante e depois íamos para uma praça lançar os balões e iluminá-la com fogo de artifício. Os miúdos divertiam-se imenso. Desde o tempo em que tinham medo de pegar nos pauzinhos mais inocentes de fogo de artifício, ao tempo em que eles próprios, já com a escola do avô, lançavam os balões e organizavam a artilharia. Entravamos em desgarrada com os outros gupos que se juntavam na praça. O São João era a festa em que ele estava sempre bem disposto, animava toda a gente. Mesmo que na maior parte dos dias do ano estivesse sombrio.
Hoje os netos são grandes, têm as suas festas. Ele morreu. Mas o amor é a saudade que fica. Hoje que a tua viúva, minha mãe, faz anos, vamos brindar a ti, como sempre. Sei que estás connosco.
Amo-te pai. Sempre. Esta é uma história banal, dedico-a a todos os que, por motivos vários, não têm São João vivendo nas cidades onde o mesmo é festejado.
Era a festa dele. Organizava tudo ao pormenor. Desde que eu era pequenina. Nessa altura, fazia ele os balões e o fogo de artifício era mais pobre. O jantar era com a grande família em casa dos avós paternos. A festa era no jardim da casa. Mas era grande a animação.
Muitos anos mais tarde, retomou a tradição, agora para os netos.
Comprava uma dúzia de balões, uns maiores, outros mais pequenos, outros gigantes e fogo de artifício até não mais ter fim.
Jantávamos no restaurante e depois íamos para uma praça lançar os balões e iluminá-la com fogo de artifício. Os miúdos divertiam-se imenso. Desde o tempo em que tinham medo de pegar nos pauzinhos mais inocentes de fogo de artifício, ao tempo em que eles próprios, já com a escola do avô, lançavam os balões e organizavam a artilharia. Entravamos em desgarrada com os outros gupos que se juntavam na praça. O São João era a festa em que ele estava sempre bem disposto, animava toda a gente. Mesmo que na maior parte dos dias do ano estivesse sombrio.
Hoje os netos são grandes, têm as suas festas. Ele morreu. Mas o amor é a saudade que fica. Hoje que a tua viúva, minha mãe, faz anos, vamos brindar a ti, como sempre. Sei que estás connosco.
Amo-te pai. Sempre. Esta é uma história banal, dedico-a a todos os que, por motivos vários, não têm São João vivendo nas cidades onde o mesmo é festejado.
sábado, 9 de maio de 2015
Os likes no Facebook:
Os likes são um fenómeno. Um tipo mete um cão ou um gato tem milhares de
likes. Se for bem relacionado, até basta dizer olá. Um tipo que até se
esforça e escreve bem e tal ,,, mas não é um insider, seja da política
ou do local, não leva com like nenhum, mesmo que seja genial. Os likes
são massajar o ego dos outros ou o próprio ego no mundo virtual. Como
sou budista em evolução quero livrar-me dos likes. Como defensora da
igualdade de direitos, e contra o factor cunha ou lambe
botas, sou contra os likes porque são discriminatórios. Os likes são o
espelho do compadrio, das influências político-económicas ou das
"amizades". Alguém de boas famílias, nascida num local privilegiado e
que nunca saiu daí, basta dizer: que linda saia! para atingir os 90 e
tal likes. O nómada genial está lixado. Não embarco na barca dos likes.
Gil Vicente também não, só há barca do paraíso ou do inferno. NÃO ME
COLOQUEM LIKES. ESTE É UM MANIFESTO ANTI-LIKES.
segunda-feira, 13 de abril de 2015
Trabalhos forçados
O diabinho e o anjo bom!
Fim-de-semana de sol e coisas fantásticas para fazer, e estar sujeita a trabalhos forçados de segunda-feira, digo-te Maria Vaz, é tramado. Escreve e cala-te, não me provoques. Vai passear, segue a máxima "pura vida". Eu dou-te a "pura vida", pá, isto não é a Costa Rica!
Fim-de-semana de sol e coisas fantásticas para fazer, e estar sujeita a trabalhos forçados de segunda-feira, digo-te Maria Vaz, é tramado. Escreve e cala-te, não me provoques. Vai passear, segue a máxima "pura vida". Eu dou-te a "pura vida", pá, isto não é a Costa Rica!
Humilhação II
Humilhação
Alguém já foi humilhado por um médico, em plena consulta, tendo depois que pagar 55 euros?
Nos hospitais públicos os doentes são humilhados diariamente, toda a dignidade lhes é retirada (ressalvadas as excepções, dependentes de quem está de turno, do serviço e do hospital, ou seja, do factor sorte dentro do azar). Eduardo Prado Coelho, por quem nem tinha especial admiração, escreveu uma crónica notável sobre o tema.
Nos hospitais privados, tem dias... quando a minha filha nasceu e parte de mim morreu, uma freira atirou comigo para que eu, contorcida com dores, me virasse. Foi um dos actos crueis que me ficou na memória.
Ser humilhada em hospitais públicos na urgência estou habituada, porque tive que dormir longe de um indivíduo que me assediava e fui humilhada por empregadas grosseiras a quem tive a delicadeza de informar que a casa de banho estava nauseabunda. "Olha-me esta, pensa que está num hotel de 5 estrelas"! Ou por me deixarem 6 horas ensopada e com a bacia totalmente partida, tendo a Excelça médica especialista concluído que que era apenas uma tendinite...enfim...
Agora, ser humilhada numa simples consulta privada, com a duração máxima de 5 minutos, nunca me tinha acontecido.
Sentenciou a médica: - "A senhora é licenciada, tem a obrigação de não se comportar como um cidadão indiferenciado, já cá esteve há seis meses, por isso recuso-me a fazer-lhe qualquer exame". Nem sequer me mediu a tensão, ou auscultou. Nada. Limitou-se a esta frase.
- "São 55 euros", disse a empregada.
Não paguei. Nem pago. Que venha a penhora.
O meu pai foi humilhado muitas vezes nos últimos anos de vida, inclusive foi vítima de negligência médica grosseira. Internado em hospitais sucessivos e várias vezes na Urgência, a humilhação, aliada à consciência de nada poder fazer para a evitar, foram de uma dureza extrema. O meu pai sabia exactamente como ia morrer. Por isso, quis morrer em casa. Ao menos isso conseguimos.
Uma vez que na minha memória ele morre todos os dias 15 e eu espalho as suas cinzas no mar todos os dias 16, em jeito de homenagem, deixo-lhe uma das flores de que mais gosto e que em tempos tivemos no nosso jardim (uma cerejeira florida). Já agora, estendo a homenagem a todos os doentes internados vítimas de humilhação.
Publicada por saphou (copyright protected; todos os direitos reservados).
Alguém já foi humilhado por um médico, em plena consulta, tendo depois que pagar 55 euros?
Nos hospitais públicos os doentes são humilhados diariamente, toda a dignidade lhes é retirada (ressalvadas as excepções, dependentes de quem está de turno, do serviço e do hospital, ou seja, do factor sorte dentro do azar). Eduardo Prado Coelho, por quem nem tinha especial admiração, escreveu uma crónica notável sobre o tema.
Nos hospitais privados, tem dias... quando a minha filha nasceu e parte de mim morreu, uma freira atirou comigo para que eu, contorcida com dores, me virasse. Foi um dos actos crueis que me ficou na memória.
Ser humilhada em hospitais públicos na urgência estou habituada, porque tive que dormir longe de um indivíduo que me assediava e fui humilhada por empregadas grosseiras a quem tive a delicadeza de informar que a casa de banho estava nauseabunda. "Olha-me esta, pensa que está num hotel de 5 estrelas"! Ou por me deixarem 6 horas ensopada e com a bacia totalmente partida, tendo a Excelça médica especialista concluído que que era apenas uma tendinite...enfim...
Agora, ser humilhada numa simples consulta privada, com a duração máxima de 5 minutos, nunca me tinha acontecido.
Sentenciou a médica: - "A senhora é licenciada, tem a obrigação de não se comportar como um cidadão indiferenciado, já cá esteve há seis meses, por isso recuso-me a fazer-lhe qualquer exame". Nem sequer me mediu a tensão, ou auscultou. Nada. Limitou-se a esta frase.
- "São 55 euros", disse a empregada.
Não paguei. Nem pago. Que venha a penhora.
O meu pai foi humilhado muitas vezes nos últimos anos de vida, inclusive foi vítima de negligência médica grosseira. Internado em hospitais sucessivos e várias vezes na Urgência, a humilhação, aliada à consciência de nada poder fazer para a evitar, foram de uma dureza extrema. O meu pai sabia exactamente como ia morrer. Por isso, quis morrer em casa. Ao menos isso conseguimos.
Uma vez que na minha memória ele morre todos os dias 15 e eu espalho as suas cinzas no mar todos os dias 16, em jeito de homenagem, deixo-lhe uma das flores de que mais gosto e que em tempos tivemos no nosso jardim (uma cerejeira florida). Já agora, estendo a homenagem a todos os doentes internados vítimas de humilhação.
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