Desta vez vinha em direcção a mim, determinada e a olhar-me. A mesma do outro dia. Cada vez se aproximava mais em rota de colisão. A escassos trinta centímetros, virou num ângulo perfeito de 90 graus e entrou numa sala. Ufa....safei-me. Engano, estatelei-me no chão, porque a senhora das limpezas não tem triângulos a dizer "piso escorregadio, cuidado!". Sapatos de borracha e azulejo húmido é sku. Não parti uma perna por pouco, mas fiquei toda pisada. Acidente de trabalho. Ai sim, vou já reportar a incompetência da entidade patronal, que não tem uns míseros euros para cumprir a lei. Ergui-me, mas o telemóvel de segunda que tira fotografias de primeira fugiu-me das mãos quando me preparava para fazer a queixa, estatelou-se em quatro. Não sei se o consigo reconstruir. Acertei na sala, mas levei o comando errado. Quando consegui o comando certo, a internet não funcionava, só a treta da intranet. Não pude mostrar Achmed, the dead terrorist, para divertir a plateia. Tive que voltar ao carro, estacionado a cerca de um quilómetro, manca e com a caloraça, porque, chegada à sala me tinha apecebido da falta documentos essenciais. Acabou o turno. Não tinha chave para entrar em casa, a sucumbir de gula e cansaço. Mais meia hora à espera que alguém chegasse, desta vez sem possibilidade de comunicação. Dói-me a cabeça e o cú, mais uma perna e as costas. Estou raivosa, embora o dia contra a raiva fosse ontem, pelo que já posso.
A causa destes azares não é Sócrates, é a freira paramentada. Garantido.
Será que Aníbal Cavaco Silva também viu uma freira toda paramentada hoje?
Voy hacer la siesta.